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O ser capaz mora perto da necessidade

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Partindo de uma assertiva de Pitágoras, costumo pensar e me provocar, dizendo para mim mesmo: O “ser capaz” mora perto da necessidade, ao lado da coragem, próximo da ousadia, a frente do medo, dentro do compromisso, atrás do atrevimento, vizinho da audácia, adjacente ao entusiasmo, chegado ao empenho, anexo ao aprendizado, em baixo da motivação, mas nunca deveria residir longe da prudência, da ponderação e nem da sabedoria.  
Meu velho pai em sua simplicidade costumava dizer “A necessidade é a primeira das leis”, eu sei que sua leitura fria pode levar a que muitos discordem, mas entendo a necessidade real, no seu limite lateral superior, como sendo ela de forte e poderoso impacto sobre quem a sofre, a passa...  
 “O ser capaz mora perto da necessidade – Pitágoras”

Mudanças

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Mudar seria necessário ou não? É possível se adaptar sem mudanças, ou se adaptar já é o exercício, em algum nível, de mudança? Acho no mínimo ingênuo pensar que tudo é fixo, que nada muda. A realidade é por si só dinâmica, e mutável é a percepção que dela subjetivamente alçamos a consciência. Tanto o mapeamento da imagem mental quanto nosso estado emocional são diferentes momento a momento. De novo, creio ser ingênuo imaginar que nossas emoções e sentimentos, nosso estado de ser a cada instante não afete direta ou indiretamente nossa leitura subjetiva da realidade. O ciclo, em minha percepção, é de recursividade continuada, a realidade interfere no como estou e mesmo no como sou, e em contrapartida, o como estou e sou, interfere continuamente no como interpreto subjetivamente a realidade. Desta forma entendo que mudar é um fato, natural e contínuo, mas a questão permanece, posso ou preciso mudar, com algum grau de consciência? Sim, minha resposta é que sim, mais do que posso, é necess…

O que somos?

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O que somos? Uma simples pergunta, e quanto a resposta? Hum! Certamente, muitos de nós, talvez todos, acreditamos tê-la. Mas será uma resposta pensada, ou apenas superficial, contaminada por conceitos e preconceitos que carregamos, mas que sequer investimos esforço algum em sua análise e compreensão? Inversamente proporcional a simplicidade da questão colocada, a múltipla e complexa miríade de respostas pode extrapolar o que nossa simples e individual vã filosofia pode muitas vezes imaginar. O que me surpreende, chegando a incomodar, é a quantidade de vezes que simplesmente descartamos da resposta, por simples esquecimento, ou porque acabamos por nos perder em divagações infrutíferas, o fato de que não deveria haver resposta descolada, direta ou indiretamente, da realidade de que somos seres biológicos, somos entes mentais, somos criaturas fruto e resultado da evolução, que somos o que em última instância a funcionalidade operacional de nosso circuito cerebral nos faz ser. O que somos?…

Olhar-se e perceber-se

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Por mais paradoxal que possa parecer, olhar-se a si mesmo não é fácil, ou melhor, perceber-se em profundidade, no que nos é possível perceber de nossa reduzida porção objetiva frente a enorme parcela inconsciente que nos faz subjetivamente ser quem somos, é deveras difícil, entretanto é um exercício de ser que todos deveríamos encarar. Ao olhar-se, não se olhe apenas com seu cotidiano olhar, olhe-se com outros olhares, busque-se de diversas perspectivas, esquadrinhe-se de diferentes pontos de vistas, mas é necessário coragem, sinceridade e profundidade. Ninguém é exatamente o que deveria ser, ou o que gostaria exatamente de ser, somos seres complexos, com elevado grau de inconsciência, apesar de acreditarmos, ao contrário, sermos dotados de um domínio consciente alto, quase pleno. Boa parte de nosso processamento mental se faz em silêncio cavernoso, longe, muito distante do que possamos conscientemente perceber, e isso parece paradoxal para muitos de nós, nos levando muitas vezes a du…

Recomeçar

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Talvez, nem a própria eternidade, seja realmente eterna, ou pelo menos não o seja, exatamente no que hoje ela é ou possa agora ser. Pessoalmente sinto-me tentado a interpretá-la, no que me seja possível limitadamente compreende-la, como algo eternamente mutável, transformável e fluídico. A eternidade material, tendo como referência a dualidade matéria-energia como a conhecemos, me é mais palatável de imagina-la não eterna, tudo decai, na forma como encaro a realidade. A eternidade temporal, seja lá isso o que for, pode ser na verdade uma sucessão de contínuos novos estados, que se metamorfoseando, transitam de um estado de fase para outro. Talvez a eternidade seja prolixa em seus sucessivos estados momentâneos, onde o natural, continuando a ser natural, sem jamais deixar de ser uma realidade natural, se perca em estados físicos transmutados de si mesmo. Desta forma até a eternidade seria um ciclo de infinitos recomeços.
Se a própria natureza se reveste naturalmente de recomeços, porque…

Por derradeiro o nada

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Por derradeiro ao ser humano, o nada existencial. Não o nada físico, material, posto que a matéria, em essência e naturalmente, persiste. Alguém já disse: Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma. Mesmo ela, tem seu fim, como objeto, registrado em sua identidade, desde o seu surgimento, pois o decaimento natural é fato a tudo, ao todo material, mas sua história de vida, aos nossos olhos, mostra-se infinita, não porque perdure para sempre, mas porque foge a nossa capacidade de percepção a duração temporal física do tempo médio de vida da existência material. 
Por derradeiro para mim, aos “eus” que me fazem ser quem sou, o mesmo fim natural a tudo imanente, aquele nada existencial, o mesmo nada que já fui por infindável tempo, agora, no instante em que me for, será o nada definitivamente eterno.
Por derradeiro a vida, não obstante sua tremenda força de perseverar em existência contínua, como essência biológica, movida e sustentada por uma simples, mas poderosa estrutura…

O túmulo nos espera a todos

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A vida, intransigente em si mesma, continuamente nos mostra, tanto aos sábios quanto aos tolos, tanto a uns quanto a outros, que a decomposição final é lugar comum a todos nós. Corpo por corpo, órgão por órgão, tecido por tecido, célula por célula, molécula por molécula, átomo por átomo, em algum lugar do presente que se descortina ininterruptamente para o que ainda não é, nos transformaremos de algo em outro algo, através do nada que permeará eternamente o nosso ser que se vai e que se esvai da vida mental que hoje nos faz indivíduo, pessoa e ente mental. A morte, a putrefação transformadora, o fim mental por um continuar de elementos, é itinerário comum na viagem limitada que nos é permitida pelo suporte natural que nos acolhe e nos possibilita.

O túmulo nos espera a todos, indistinta, democrática e seguramente.

A subjetividade da consciência

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Como ser plenamente, se em essência sequer sabemos o que podemos ser? Como realizar todo potencial humano e social que nos envolve e abraça intima e subjetivamente quando particularmente, no íntimo do que somos, o subjetivo de nossa cegueira inconsciente é muito maior do que gostaríamos de aceitar como verdade. Não obstante todo desconhecimento consciente de enorme parte do que processamos mentalmente, cabe-nos viver. É necessário que consigamos nos colocar em movimento, e que a revelia do que não saibamos, busquemos construir nossa humanidade, e em paralelo, sejamos capazes, mais do que entender, sejamos ousados na concretização, dentro de nosso potencial humano, de nosso ente social.
Somos sombra enevoada que nos corta o ente. Subjetivamente somos reais, somos parte real da não menos real realidade do todo. Nossa existência é um fato. Somos uma ambiguidade complexa contrapondo a subjetividade do ser que somos ante a plena característica real da existência do todo e de nós mesmos. Nos…

Lua

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Lua da minha vida
Lua da minha Terra
Terra
Terra da minha vida
Terra da minha lua
Do meu luar
Do meu voar
Do meu amar

Ser que é Lua
Que como Lua se faz Terra
Que sonha e existe
Mas que só sonha porque existe

Lua pedaço da Terra
Terra bocado maior da Lua
Parte bivalente do conjunto que se faz uno
Terra que sem lua
Não seria a Terra
Estaria nua.

Lua
que o céu embeleza
fonte de misteriosa beleza
Lua que arrebata, deslumbra e seduz
Lua de tantos cantos
Lua de quantos contos
Lua de encontros e desencontros
De encantos e desencantos
Lua que lentamente se afasta da Terra
Terra que lentamente sofre
Que antecipadamente submerge
Pela dor e saudades da lua que aos poucos se vai
Pela separação que já antecipadamente chora...