Porque existe algo ao invés de somente o nada existir

Porque existe algo ao invés de somente o nada existir?

Porque existe algo ao invés de somente o nada existir? Ainda não sei a resposta, talvez nunca a saiba, talvez mais ainda, ninguém nunca o saiba. A pergunta das perguntas, e a questão de todas as questões estará fadada a ser a dúvida de todas as dúvidas, e a dívida impagável de toda a ciência e de toda a filosofia? Será ela uma eterna e inalcançável resposta?
 
Absurdo existir algo sem uma causa primária, sem um motivo primeiro, sem um agente primitivo, ou sem uma razão que lhe de origem e seja seu encadeamento natural? Talvez sim, talvez não, mas absurdo por absurdo poderemos recair no absurdo de um ciclo eterno de causas primárias, o que levaria a outro absurdo, o da eternidade de causas circulares como causa primeira de algo que sempre requererá uma outra causa primeira. Este absurdo também se estende a existência de um deus primeiro, qualquer deus. Quem ou o que criou este deus? O absurdo do eterno ciclo primeiro de matéria e energia se transforma imediatamente no absurdo ciclo de deuses criando deuses por todo o sempre. E se deus pode ter sempre existido, pode também ser que a matéria e a energia sempre existiram.

Absurdo existir a matéria e a energia? Absurdo existir a biologia surgida da física e da química? Absurdo existirmos nós? Sim, pode ser, mas tão absurdo é também a existência de um deus, por mais bonita que possa ser história, por maravilhoso que poderia ser sua existência, nosso desejo de que isto pudesse ser verdade não torna este fato em verdade por si só. Pelo menos a matéria, a energia, a biologia, e a nossa existência são reais. Existimos. Quanto a deus, sequer podemos provar sua existência. Também não podemos provar sua inexistência é verdade, mas confundir a não possibilidade de provar sua inexistência como uma prova absoluta de existência, é irracional e nada crítico. Não posso, ainda, provar que a matéria e a energia nunca existiram por todo o sempre, e isto não é prova de que ela tenha “sempre” existido, o que quer que “sempre” signifique. Não posso provar a não existência por todo o tempo de ambos, deus e a dualidade matéria energia, e isto não é prova de que ambos existiram por todo o sempre, alias, seria bastante incoerente um deus teísta existir por todo o sempre se a própria matéria e energia também existissem por todo o sempre, teríamos que abrir mão de um ou de outro, ou nos utilizarmos de outra qualificação de deus, mais panteísta. Não posso provar a não existência de muitas outras coisas, e isto não é prova de que estas outras coisas todas existam. Por este enfoque, somos nós, a biologia, a energia e a matéria, e o espaço tempo um absurdo menor, porque existimos, somos real, como é real o nosso universo, em comparação com absurdos que não podemos provar sequer a existência. Agora, todo e qualquer absurdo quanto a nossa existência acaba se assumirmos que o nada absoluto seja uma impossibilidade, seja ele próprio o único absurdo da história, seja ela apenas e tão somente uma abstração lógico matemática, seja ele uma sublimação imaginaria de nossa própria ignorância na busca de uma causa que nunca existiu. Talvez a física quântica esteja mais uma vez correta, e o nada absoluto seja uma impossibilidade quântica, sempre existirá alguma flutuação quântica em todo e qualquer nada, a energia e a matéria são assim a pura natureza de tudo e do nada, onde assim a matéria e a energia, as dimensões, nossas quatro, e talvez outras mais, sempre existiram, ou são resultado natural de flutuações quânticas. Universos existirão assim em infinitos números, mas somente existimos neste, porque este é um daqueles muitos universos onde a física original permitiu condições para que chegássemos a existir. 

Porque existe algo ao invés de somente o nada existir? Ainda não sei a resposta, mas talvez ela seja mais simples e direta do que nossa vã filosofia e nosso incompleto conhecimento da física possa parecer mostrar, pode até ser mais simples do que nossos desejos transcendentais possam nos querer induzir. Pode ser porque, simplesmente, o nada nunca pôde, e nunca poderá, existir.

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