Civilizações espaciais, povos intergalácticos

Civilizações espaciais, povos intergalácticos

Pessoalmente, sempre acreditei na existência de vida, de qualquer nível, mesmo algumas que sequer conseguimos imaginar sua estrutura, fora de nosso amado planeta. Mesmo defendendo a ideia da existência de vida em diversos outros planetas, e quem sabe até fora de planetas, sempre duvidei abertamente de que algum ser Extraterrestre tenha nos visitado.

Nunca afirmei que não tenham sido avistados OVNIs, porém o que eu defendo é que eles sejam artefatos terrestre, objetos voadores não identificados, mas de origem terrestre. Desta forma eu sempre mantive uma posição pela total descrença na existência de Extraterrestres em nosso planeta, e assim nunca acreditei nas histórias de abdução, com ou sem experiências físicas, biológicas e/ou reprodutivas.


É claro que existem muitas e muitas pessoas que afirmam terem tido este (ou algum outro) tipo de contato/experiência com ETs, e uma verdadeira multidão de pessoas que afirmam terem tido contato visual com OVNIs. Eu sei que é improvável que todas elas sejam mentirosas, e que estejam conscientemente mentindo. Isto não significa que eu mude minha posição. Tem de existir alguma outra explicação lógica, racional, mental e plausível para este contingente de pessoas, muitas delas, talvez a maioria absoluta, pessoas dignas e retas em sua passagem por esta vida.

Chamá-las de mentirosas, seria uma estupidez e demonstraria uma quase total ignorância de minha parte. Muitas delas falam sinceramente o que suas mentes lhes afirmam como verdade. Não sei exatamente o que se possa passar tanto a nível coletivo, quanto a nível individual, nestes casos, mas mantenho minha posição de que não existam ETs aqui na terra, sejam eles como visitantes, colonizadores, pesquisadores, moradores ou invasores. Mantenho, mesmo assim, minha posição de que acredito piamente, na existência de vida fora da terra, e que possivelmente muitas delas sejam “inteligentes”, algumas bem mais “evoluídas” técnica e cientificamente do que nós.

Eu sei que isto parece antagônico, e alguns já devem estar me rotulando, no mínimo como incoerente (os mais simpáticos, é claro), e outros como maluco mesmo (os mais radicais).

Deixe-me então tentar organizar minha explicação para esta aparente incoerência. Para mim, não existe contradição alguma em minha dupla posição de acreditar em vida fora da terra, e dentro destas vidas, vida inteligente, e mesmo assim não crer que existam ETs conosco por aqui. Com certeza, para este que vos escreve, não é uma contradição, e a aparente contradição desmorona ao menor sinal de verdadeira interpretação e análise. Assim, vamos juntos nesta caminhada.

Não aceito, por princípio, o criacionismo, nem em sua forma original, e nem em sua variante, a do projeto inteligente. A vida assim teve de surgir naturalmente. A minha primeira inferência é que se ela surgiu naturalmente uma vez, pode assim também surgir ou já ter surgido outras vezes. Afinal o nosso universo é “infinitamente” grande, falamos da ordem de bilhões de galáxias e bilhões de bilhões de estrelas (apenas dentro de nossa área de inferência visual, o universo pode se expandir para muito além do nosso campo visual). Aliado a isto temos um volume de tempo absurdamente grande ao nosso favor, estamos falando de mais de 13 bilhões de anos.

A matéria em si, por todo o universo, é a mesma, forjada nos fornos estrelares. Assim, neste universo, a física e a química acabam sendo as mesmas, podendo haver pequena variação nos valores de algumas constantes, mas esta variação ocorre no tempo e deve ser igual para todo o universo. Desta forma, com certeza, existem e já existiram uma infinidade de ambientes, onde a probabilidade de termos condições semelhantes a experimentada aqui na terra é total. Além disto, quem pode afirmar que a vida necessita tão somente das condições que aqui tivemos. A vida pode ter surgido de princípios químicos iguais, porem com uma biologia totalmente diferente da nossa, e assim, por conseguinte não necessitando de um ambiente como o nosso, e talvez assim, podendo ser natural em ambientes mais comuns do que o nosso terráqueo por todo este universo, mesmo que para nós pareçam ambientes improváveis, inóspitos, ou não intuitivos, para a vida. Mas quem disse que o universo e a natureza têm obrigação de serem intuitivos ou prováveis..

A vida aqui na terra tem demonstrado uma capacidade assombrosa de existir onde duvidávamos ser possível qualquer vestígio dela. Ela tem demonstrado uma capacidade adaptativa incrível, como se imortal fosse. Ela renasce dos cataclismos, e se adapta a realidades espantosamente adversas. Ela existe a milhares de quilômetros no fundo do mar, em fossas abissais, sem nenhuma luz solar e suportando assim pressões inimagináveis, causada por uma coluna de água imensa sobre ela, somada a pressão atmosférica normal.

Ela foi também encontrada em poças acidas, foi encontrada próxima a vulcões ativos, foi encontrada em cavernas profundíssimas, em rachaduras profundas nas rochas, em locais quentes, frios e etc. etc. etc. Ela existe tanto na forma aeróbica, quanto anaeróbica. Ela descobriu como obter energia, sem necessitar da luz solar. Ela é fantasticamente adaptável.

Penso que o surgimento da vida (biológica) seja uma sequência quase que obrigatória da continuidade físico química da matéria. A complexidade parece ser um atributo inerente a existência em si, e a matéria e a energia. Bastaria para tanto que se desse tempo suficiente e um meio minimamente propício.

Como o universo conhecido (aquele que podemos observar, pelo tempo que a luz ou outras formas de eletromagnetismo teve para nos alcançar) possui bilhões de bilhões de estrelas, e como a astronomia tem nos mostrado que planetas são também objetos comuns às estrelas, podemos então ter mais de bilhões de bilhões de sistemas solares, a maioria com mais de um planeta, e possivelmente mais de uma lua, mais de um cometa e mais de um asteroide de grande tamanho. Desta forma o cenário básico para a vida possui quase infinitos sistemas físico-químicos para servir de laboratório.

A química da vida não dependeria somente do carbono, existem outros componentes que possuem também valência suficiente para o surgimento de uma química complexa e daí para uma bioquímica incipiente. Chegado aqui, a biologia seria um passo tão natural como o ocorrido aqui na terra.

Elementos variados possuem diferentes forças de ligação, assim, com diferentes elementos teríamos diferentes composições físico-químicas, consistentes com diferentes níveis de calor e de pressão, espalhados por este universo sem fim. Apenas como exemplo, elementos como o silício, por comporem moléculas mais rígidas, poderiam ser selecionados em ambientes onde o calor fosse bem maior. Outros elementos, com valência e forças de ligações variáveis, poderiam se adaptar melhor a lugares mais frios, de menor ou maior pressão e assim por diante.

Desta forma, os laboratórios naturais são quase infinitos e com possibilidades de inúmeros padrões químicos básicos a serem selecionados para uma biologia local, ajustados assim ao potencial de calor e pressão diferentes.

Desta forma posso quase afirmar que a vida já teria surgido, com alguma certeza, em vários outros locais, sejam estes planetas, luas, cometas, asteroides, ou qualquer outro local imaginado ou não. Ela provavelmente está surgindo, agora, neste exato instante, em algum outro local de nosso quase infinito universo.

Esta é a principal característica que me faz crer que a vida seja inevitável. O aumento da complexidade poderia ser uma “constante” ou um princípio universal.

O fato de existir vida, não significa que ela seja parecida com a nossa, ou seja, inteligente, no tocante ao que definimos como inteligente.

O simples fato de existir vida, não significa que ela seja multicelular, não significa que ela leve a algo sequer parecido com os nossos animais, vegetais, fungos, ou mesmo parecido com nossas bactérias, não significa que ela possua algo parecido com nossos neurônios, ou que ela seja inteligente.

Provavelmente, da infinidade de vidas que acredito, existam, já tenham existido e se extinguido, ou que ainda venham a existir, pode ser que alguma porção delas, de forma aleatória, tenha levado ao desenvolvimento de algum nível de inteligência. Deste percentual de vida em que acidentalmente a inteligência surgiu, outra porção deve ter desenvolvido uma consciência de si própria e alcançado um nível de curiosidade tal, que os permita, assim como ocorre conosco, buscar entender o mundo que os cerca e a vida que brilha em seus corpos, sejam eles como forem.

Outra coisa que também acredito, é que onde houver algum nível de bioquímica que leve a vida, aí existirá também algo muito parecido ou igual a evolução por seleção natural.

Desta forma, acredito assim que em alguns lugares existam seres inteligentes e curiosos o bastante para estudar o universo. Por favor eu não disse que a evolução ou a seleção natural deve levar a seres inteligentes, a evolução é cega quanto a destinos, ela apenas seleciona seres mais bem adaptados, e a inteligência tem um custo alto e que podia não ter sido selecionada. Cabe lembrar que os dinossauros mandaram absolutos na terra, por muito mais tempo do que a evolução dos homo, e nunca levou a nada parecido com uma inteligência produtiva, criativa, autoconsciente.

Como o nosso universo tem um pouco mais de 13 bilhões de anos, a vida inteligente já pode ter surgido e se extinguido em vários sistemas. Acredito assim que neste exato momento relativo, existam outros seres inteligentes.

Vamos lá, até agora defendi apenas minha crença na existência de vida fora da terra e inclusive de vida inteligente. Desta forma, muitos de vocês retornarão a questão inicial de que seria assim natural crer que eles estão também por aqui, posto que podem ser muito mais inteligentes e possuírem uma tecnologia muito à frente da nossa. Não creio, responderei eu. Uma afirmação, mesmo que verdadeira não infere a outra. Esta indução, como quaisquer outras induções podem ser totalmente falhas.

Uma coisa é defender a multiplicidade e a variedade de vidas possíveis, outra coisa bem diferente é afirmar que estes possíveis seres extraterrestres nos conheçam, e que aqui já estiveram ou estão. Como assim?...

Para que eles nos visitem, eles precisam saber de nossa existência.

Nosso planeta é um nada neste vasto e quase infinito universo. Nosso Sol é uma pequena e sem maiores qualidades estrelares, sem nenhum atributo especial neste vasto mundo. Possui a única qualidade de ser o ponto focal de nosso sistema solar. Sem ele não existiria a terra e não existiríamos nós, mas para o universo como um todo, nosso sol não é praticamente um nada.

Para que alguém externo consiga nos perceber, ele teria de ter recebido algum sinal que o levasse a crer que existimos. Se formos genericamente bondosos, poderíamos estimar que nossa primeira emissão de onda de rádio ou outro tipo de onda eletromagnética, gerada intencionalmente, não por processos naturais, ocorreu em 1896, o que dá um pouco mais de 100 anos.

Mesmo que esta onda eletromagnética tivesse potencial para sair da terra, e pudesse assim ser captada, ela estaria a tão-somente cento e poucos anos-luz, que é o mesmo que quase nada, perto do magistralmente grande universo que habitamos. Poderíamos estimar que nosso universo percebível se estende por um raio de cerca de 14 bilhões de anos-luz. Apenas por facilidade arredondarei a distância daquela nossa onda primordial para duzentos anos luz, o que por si só já é muito mais distante do que estaria realmente hoje nosso primeiro sinal telegráfico transmitido sem fio, isso nos daria apenas 0,0000014 por cento do total, ou seja, menor do que uma em dez milhões de partes de um por cento. Um por cento já seria pouco, mas imagine-se dividindo um por cento por dez milhões e nossa possível onda eletromagnética teria tão somente percorrido este percentual, uma parte em dez milhões de partes de um único por cento. Ou seja, quase nada, ela estaria ainda no quintal de nosso sistema solar, e nesta ínfima distância, se existisse vida inteligente, já a teríamos também detectado.

O espaço em que nosso universo se expande é tão grande, e é tão numeroso também a quantidade de corpos celestes existentes no universo conhecido, que ouso afirmar que nenhum extraterrestre já esteve por aqui, ou que esteja a caminho para nos encontrar, seja o motivo qual for. Seja qual for o critério, escolher o nosso planeta para uma viagem seria de uma probabilidade que tende a zero, algo como 1 para bilhões de bilhões de sistemas solares.

Sim, existiriam outras formas de se detectar vida, mas sem a mínima certeza de que possa existir vida inteligente, assim, retiraria toda e qualquer maior valia para os possíveis extraterrestres. Seria medirmos a composição média da atmosfera de corpos celestes, por assinaturas luminosas, e percebemos compostos químicos não estáveis, que para existirem necessitariam estar sendo criados por algo que não a própria química básica. Disto poderíamos deduzir que exista vida, tão-somente poderíamos inferir a existência de vida, e jamais, por si só, de vida inteligente. É isto que alguns de nossos brilhantes cientistas estão tentando fazer com os planetas que descobrimos. Um exemplo, o oxigênio livre na terra não é natural, ele decorre de processos biológicos.

Outro argumento que corrobora minha crença é a própria distância física em si, que por si só seria um “impossibilitador” natural para viagens intergalácticas.

A velocidade da luz é hoje um limitante natural para deslocamentos.

Mesmo que alguma civilização tenha alcançado este poder, o de se deslocar a velocidade da luz, viagens intergalácticas ainda seriam proibitivas posto que seriam necessários milhares, milhões ou até mesmo bilhões de anos viajando a velocidade da luz para atingirmos algumas galáxias. Assim, seria totalmente improvável que tenhamos ETs por aqui.

Outro agravante é que a distância significa olhar no passado. Suponhamos que nossos cientistas percebam sinais de vida inteligente em algum lugar do espaço a cerca de um milhão de anos-luz (isto poderia estar também acontecendo com alguma outra civilização extraterrestre), o que na prática isto significaria? Isto significaria que estávamos recebendo sinais, e por conseguinte percebendo uma vida inteligente ou não, a exatos um milhão de anos atrás, nada poderíamos inferir sobre o atual presente desta civilização. Um milhão de anos atrás, no mínimo me coloca em dúvida quanto a atual existência daquela vida inteligente.  Imprimir qualquer esforço em uma viagem de um milhão de anos (neste exemplo) sem termos a menor certeza de que eles ainda existam, seria um gasto totalmente ineficiente.

Suponha assim que uma civilização ultra avançada, que domine a velocidade da luz, nos perceba agora. Suponha que esta civilização esteja a apenas 800 mil anos-luz, o que seria uma distância curta na imensidão de nosso espaço sideral. Se ele iniciasse hoje sua viagem até nós, ele apenas nos encontraria daqui a 800 mil de anos, sem levar em consideração a expansão acelerada de nosso cosmos (o que aumentaria a distância física a ser percorrida).

Quando estes seres extraterrestres aqui chegassem (daqui a 800 mil anos, o que para eles significaria 1.600 mil anos – 800 mil anos do sinal inicial que receberam, e mais 800 mil de viagem até nós), poderiam deparar com uma terra estéril, poderíamos ter destruído a terra com nossa ganância, ou simplesmente poderíamos ter desaparecido por causas naturais. Oitocentos mil de anos para frente (mas para nosso hipotético amigo extraterrestre seriam 1,6 milhões de anos), não nos permite nenhuma previsão, ainda mais se levarmos em conta que como homens modernos temos hoje tão-somente cerca de 50 a 150 mil anos.
Oitocentos mil anos luz ainda é bem próximo. Se supusermos alguma espécie a 400 milhões de anos luz, isto implicaria em somente chegarem aqui depois de 800 milhões de anos desde que o sinal original recebido por este povo tenha sido gerado. 800 milhões de anos é absurdamente muito tempo para garantir a sobrevivência de qualquer espécie, como dito anteriormente somente existimos como homens modernos a tão-somente cerca de 50 a 150 mil anos, como hominídeo cerca de 5 milhões de anos, como mamífero cerca de 100 milhões de anos. A grande explosão da vida, que deu início a povoação da terra firme, saindo a vida do mar, não tem mais de 500 milhões de anos, assim 800 milhões de anos para frente faz crer que a vida humana já se extinguiu a muito tempo. Oitocentos milhões de anos é muito tempo para qualquer espécie.

Cabe comentar que se foram gastos quatrocentos milhões de anos, viajando a velocidade da luz para aqui chegar, serão necessários outros quatrocentos milhões de anos para retornar. Assim quando terminada a jornada de ida e volta ter-se-ão passados um bilhão e duzentos milhões de anos desde que o sinal original tenha sido produzido, ou seja, com razoável certeza, sua civilização já se teria extinguido também.

É claro, estarão objetando alguns, e a dobra espacial. Sim, a utilização da dobra espacial permitiria viajar muito mais rápido por buracos, como túneis por um cosmos dobrado, assim como caminhos de minhocas na terra, o que nos permitiria assim chegar muito mais rápido a lugares que jamais chegaríamos. Mesmo assim, mesmo que alguma civilização tenha alcançado o poder da dobra espacial, a descoberta de nossa existência continuaria sendo feita ou por mero acaso (lançam-se desbravadores aleatoriamente pelo espaço, mas o enorme número de corpos celeste faz de nós, outra vez, um quase nada de probabilidade), ou se baseando em sinais, e estes significam ver o passado, como somos seres muito recentes, nossos sinais ainda estão como que poderíamos dizer, apenas na porta de saída de nosso local, nenhuma civilização mais inteligente nos teria percebido.

Com estes argumentos tentei justificar o porquê acredito em vida fora da terra, mas não acredito em extraterrestres por aqui.

Para piorar porque deveríamos crer que os ETs seriam amistosos? Se olharmos com olhos bem abertos e a mente livre, para a vida como a conhecemos, ela não estaria nada próxima de uma vida amistosa. A evolução não leva a bondade, leva a seres bem adaptados a sobreviverem e procriarem, somente isto.

Agora, cada um pode continuar com suas crenças sobre estes assuntos, ou ajusta-la como bem desejar. Até que alguma evidência real apareça, mantenho a minha crença de que não existem e nunca existiram ETs por aqui, e que deve existir alguma explicação no nível mental, psicológico e neuronal para a multidão que afirma ter presenciado “discos voadores”, ou mesmo tido contato com ETs.

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