Filosofar não é aprender a morrer

Uns acham que filosofar é aprender a morrer, eu não acho, e entendo mais ainda que não faz sentido esta linha da racionalização. Eu não quero e não preciso aprender a morrer, já escrevi sobre isto no texto “Aprender a morrer”, ela virá, ela é minha companheira, única que além de mim mesmo me acompanha e me acompanhou por todo o sempre de minha existência.


Eu quero filosofar? Sim.
Eu quero filosofar para aprender a viver, e que seja para aprender a viver com uma vida mortal, com uma vida fatal, com a possibilidade de morrer a qualquer momento. Eu quero filosofar para aprender a viver, em especial, porque quanto mais velhos ficamos, a sensação de presença da morte parece ficar mais forte, até porque quem não morreu de jovem, de velho nunca escapou. Eu quero não filosofar para aprender a morrer, mas para aceita-la naturalmente como um nada para mim. Não a desejo temer, não a temo, pois que a morte só é, no fundo, triste e dolorosa para os que ficam, para os que perdem aqueles que amam.

De nada adiantaria este temor, o temor da morte me levaria ao sofrer, e sofrer pela morte me acompanharia a vida toda, pois que enquanto vivo estou passível dela, e como morremos uma única vez, da morte em si não aprenderia nada, quero aprender a viver, a amar a vida e os vivos, pois que viver, vivo todo e qualquer momento presente, até que a morte me tire a existência do eu, de meus seres, e enfim me leve de volta ao nada eterno.

Sofrer pela morte, pela nossa morte, em nada mudaria minha jornada, a não ser pelo sofrimento que arrastaria enquanto vivo. Mudaria nosso viver para um viver sofrido, triste, amargurado e doloroso. Quero aprender a viver, a ser feliz pela vida, com a vida, e na vida presente que tenho. Uma felicidade parcial com certeza, não contínua é verdade, simplesmente porque é impossível, sendo minimamente humano, ser plenamente feliz com a situação social que direta ou indiretamente ajudamos a construir e a manter, mas é possível alguma felicidade, alguns momentos felizes, e alguma minimização do sofrimento geral, mas até este sofrimento é necessário para que não sejamos insensíveis e apáticos ao sofrimento dos outros, e também para nos por em movimento por uma luta dedicada e comprometida por estes outros, em especial aos excluídos e abandonados ao azar do viver desumano de nossa sociedade.

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