Imaginar um deus

Imaginar que um deus, qualquer deus, que por definição para ser deus (por nossa mesma definição), deve ser ele próprio o sumo bem, há de ser todo poderoso, ser onisciente e onipresente, é natural e fácil.
Esta postura subjetiva permitiria a sua “criação” no âmbito mental. Este deus criado conforme nossos preconceitos e refletindo muito da nossa imagem e do que desejamos, poderia ele, apenas para dar vazão ao livre arbítrio, criar tudo de bom, mas a realidade é diferente, e sob a protetora desculpa de garantir nosso livre arbítrio, permitiu ele que fizéssemos uso da maldade, e tolerou que esta mesma maldade pudesse se tornar epidêmica, e que levasse a nossa sociedade ao que ela é hoje globalmente, algo que leva uma multidão de irmãos ao desespero, a exclusão e a miséria, somente para que exigisse de sua criação, nós, pelo poder da fé, da oração, do pedido e do sofrimento, que ele pudesse ai sim interceder, agir, tomar partido, e “salvar” para uma vida futura estes irmãos, parece-me muito irreal. Isto me parece de uma presunção e prepotência absurda, o que muito me incomoda, mais ainda me parece não ser atitude coerente para deus nenhum, acabamos criando um monstro, quando queríamos apenas um deus de bondade, acabamos criando uma espécie de incoerência lógica, pois ao criarmos um deus de bondade, criamos um deus prepotente, que nada tem a ver com Bondade e amor supremos. Para agravar, a definição de que um deus há de ser por definição, sumo bem, onisciente, onipotente e onipresente, é totalmente nossa, é humana, pois por natureza, um deus, qualquer deus, se pudesse existir, um ser com a capacidade de criar espaço-tempo, matéria e vida, não precisaria ser bom, ser sumo bem, ser reflexo de amor algum, mas isto fugiria completamente ao que desejávamos, ao que precisávamos, ao que nossa criação mental pudesse nos ser reconfortante, além de não responder a questão inicial que tentávamos responder com a criação mental de um deus: Porque existe algo? De onde vem tudo? Qual o valor moral de viver? Qual o motivo do próprio viver? Assim, nos ajudamos, criando um deus que naturalmente pode responder a tudo isto. Este deus, criado para nos ajudar a responder o que não sabemos, apenas posterga a resposta, pois que transfere a pergunta para: Por que existe um deus? De onde surge este deus?

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