A indução não pode ser prova de nada

A indução por si só nunca foi prova de nada, é assim uma das grandes falhas de quem busca o saber, busca conhecer, busca alguma verdade científica. A indução implica, indiretamente, que seja possível saber mais do que se sabe. Por mais que algo tenha acontecido igualmente por dez mil ou mesmo cem mil vezes ou mais, por anos, séculos, milênios e bem mais ainda, não implica, nunca implicou ou vai implicar, por si só, que sempre será assim, que já na próxima ocorrência não possa ser diferente, não implica nem mesmo que sempre foi assim.

Se não sabemos exatamente os “comos”, todos eles, o que por si só é impraticável, como imaginar que consigamos uma generalização exata, universal, e livre de inconsistências físicas ou conceituais, por isto toda ciência é uma simplificação do real, é uma redução localizada pois que a universalidade é impossivel. É impossível generalizar simplesmente porque temos a percepção de que algo sempre ocorreu de uma determinada forma, esta generalização não é válida quando objetiva e racionalmente a “interpelamos”. Não é porque ao longo de milhares de anos, milhões deles se incluirmos nossa jornada natural evolutiva, consciente (desde que ela surgiu de forma funcional em nossa evolução) ou objetivamente não se conhecia nenhum animal ou objeto voador com mais de 10 toneladas, que poder-se-ia generalizar, por pura indução, que não poderia existir nenhum objeto capaz de voar com mais de 10 toneladas. A ciência e a tecnologia avançaram e hoje temos não um, mais inúmeros objetos voadores com mais, muito mais até, de 10 toneladas, desta forma entendo ser um grande erro generalizar como enunciados universais, todo e qualquer enunciado factual que se baseie unicamente na experiência vivida.

A teoria do conhecimento é a ciência da ciência, já falava Karl Popper, e assim ela precisa ser tão seria, cuidadosa, racional e objetiva quanto a ciência em si. A teoria do conhecimento, para mim e para vários, deve ser pautada em compromisso dedutivo, ação empírica (testar é necessário) e busca constante em modos de falsear este conhecimento (tentar de todos os modos rejeitar as asserções positivas, procurar buscar tornar falsa todo é qualquer argumentação deste novo conhecimento, na verdade entendo que a ação empírica de testar, experimentar e comprovar, só faz sentido quando tentada no sentido de refutar-se o experimento, e é sua negação, a incapacidade de refutar ou falsear o experimento que torna válida a comprovação, pois que provar por si só é frágil demais como determinação de conhecimento).

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