Caso ser sábio seja apenas...

Caso ser sábio seja apenas uma questão de saber cultural ou intelectual, caso ser sábio seja buscar sua felicidade apenas, seja apenas uma questão pessoal, desconectada da realidade social repugnante que ajudamos a manter, e se ser sábio é apenas jogar com conceitos, ideias, pressupostos, semânticas ou sistemas, para que ser sábio? 


Para que precisamos de sábios? Sábios que se omitem de suas responsabilidades, sábios que se abstraem de construir uma sociedade diferente, que se anulam em busca de sua própria felicidade apenas, que irresponsavelmente fazem de sua inação degraus para sua própria felicidade, que não sofrem e não se revoltam com o sofrimento alheio, que não se lançam com ousadia e coragem em um processo sincero de transformação do que aqui está, é ser sábio para muito pouco, ou mesmo para quase nada. Prefiro ser um ignorante que tenta fazer, que busca aprender para fazer, que busca se transformar para participar da transformação do todo, indo contra interesses múltiplos, mostrando a cara, dando a mão a palmatória, se apresentando abertamente contra quase tudo do que aqui está. Se para alguns isto parece burrice, para mim isto é a sabedoria que procuro, o saber com obras de transformação, o saber com aplicação social, a felicidade social, pois entendo que o coletivo sempre será mais importante que o individual. A vida social me interessa muito mais que os livros, que o saber maior do mundo. Busco o saber apenas como alicerce para ser um ser social.

O sábio revoltado. Não é possível? Então prefiro ficar com a revolta que pode algo transformar, e deixar a capacidade de ser sábio para outros.

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