“Dê poder a uma pessoa, e passarás a conhecer melhor este ser humano”

“Dê poder a uma pessoa, e passarás a conhecer melhor este ser humano”

Sábias palavras. Ditado popular simples, mas coerente. Dar poder a uma pessoa nos permite conhecer o eu principal desta pessoa, tanto para o bem como infelizmente para o mau. A necessidade muitas vezes mascara a verdadeira índole de uma pessoa. O poder tem a capacidade de libertar a verdadeira personalidade, não sempre ética e digna, de uma pessoa. Um ser humano, de posse de seus atributos de humanidade, saberá gerir muito bem o poder, sem ofender a dignidade humana de ninguém, entretanto artificiosos humanos mostrarão suas garras e suas perversidades, tão logo alcancem o poder.


Poder, dinheiro, autoridade e fama, parecem ter a mágica capacidade de transformar personalidades, quando na verdade nada transformam, apenas tornam-nas públicas. Não é mágico, muito menos é transformação. O que o poder, a riqueza, a autoridade sem responsabilidade, e a fama, produzem não é nada de mágico ou de misterioso. A sua experimentação simplesmente permite que a fraqueza humana, muitas vezes apenas adormecida, sufocada ou anestesiada frente a necessidade e a impotência, ganhe enfim liberdade e força, passando assim a fazer parte da personalidade percebida pelos demais. A arrogância humana, a vaidade “irrefreada”, a presunção de se achar melhor ou superior, a soberba por parecer intocável, a fatuidade de ser (de se ver) referência, o orgulho de uma autoestima mesquinhamente supervalorizada e de um amor próprio doentio que nos faz viver acima do bem e do mal, e acima da transitoriedade minúscula de nossa existência, ficam exponencialmente aumentadas quando experimentamos do poder. Assim, acabamos por perceber como se o poder viciasse ou corrompesse, quando na verdade o poder, a fama e a riqueza muitas vezes apenas libertam características que sempre estiveram conosco, adormecidas ou intencionalmente sufocadas por interesses outros. 

As aparências comportamentais muitas vezes são meras falácias demonstráveis, teatralmente mantidas, visando nos permitir conservar o que necessitamos, ou acreditamos necessitar, pelo interesse de nossos planos. Não desejo dizer que todos somos intrinsecamente maus, tenho a certeza que muitos de nós construiu com labor próprio, através de uma vontade e decisão pessoal, um comportamento onde a ética e o respeito social sejam fontes primárias de sua existência. Acredito que vários humanos são capazes de se manterem Humanos mesmo com poder, fama ou riqueza. Para estes, o poder ou o dinheiro serão mecanismos poderosos como fontes de transformação social e permitirão um aproveitamento digno de nossa Humanidade.


Laboro continuamente para tentar estar entre os que trabalham pela humanidade, e que conseguiram ao custo de esforço íntimo e pessoal, estarem cônscios de suas responsabilidades sociais, e assim, saber dar bom uso ao possível poder, ou riqueza que por ventura algum dia venha a conseguir. Não sendo melhor e nem pior do que a média de todos nós, uma dúvida sempre persistirá, mas somente a verdadeira experiência poderá comprovar o quanto estamos fortemente imunizados para superar as tentações da luxúria e do domínio pelo poder. Isto só aumenta a nossa responsabilidade de procurarmos nos transformar primeiro, no mínimo em paralelo, para buscar uma transformação do todo que aqui está.

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