Esperança

Espinosa falava algo como “não pode existir esperança sem temor, e não existe temor sem esperança”. Eu entendo que isto faz sentido, pois que a esperança carrega sempre um viés de dúvida e de medo, e pior ainda carrega uma falsa certeza que se divide entre o desejo do acontecimento, a expectativa de sua realização, a incerteza de sua consecução e a impossibilidade desta. 


Algo pode acontecer, algo pode não acontecer, algo pode acontecer que inviabilize o porquê da esperança, algo pode acontecer quando não mais sentido faz, e assim apenas o passar do tempo, mais cedo ou mais tarde, cobrará mental, física e naturalmente o não acontecer, ou o acontecer. A esperança normalmente requer um que de fé, e ambas, esperança e fé, são independentes, no geral, do que eu possa fazer, mas dependentes do que eu não possa fazer, pois que se tivesse total domínio sobre a possibilidade de realização, não haveria necessidade alguma de esperança, ou de fé, seria uma simples questão de esperar, o que é bem diferente de esperança. Desta forma, toda esperança carrega consigo um desconforto de temor, que cresce com o passar do tempo e com sua não realização, até que pode encontrar seu clímax de sofrimento quando vemos o porque da esperança ou o motivo de fé serem quebrados porque não aconteceu e não pode mais acontecer, ou pode ainda acontecer, mas de nada mais importa, pois o tempo se foi.

Entendo, assim, que a esperança é uma porta aberta para o sofrimento.


Segundo o dicionário, desespero é: “a “perda” de uma esperança, ou de toda a esperança”. Agora, se eu não perdi esperança alguma, mas sim abri mão de qualquer sentimento dela, não posso mais ser um desesperado, e ser assim apenas um parcialmente feliz “desesperançoso”, um pouco revoltado com o que aqui está e com o que vejo, é verdade, mas jamais um desesperado...

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