Meu último corpo


Meu último corpo, que é também o primeiro, é assim o único. Ele não é “meu” corpo, mas sim, é um só, comigo. Na verdade eu não “tenho” um corpo, eu sou o meu corpo. Os “eus” que eu sou, meus seres, somente podem existir porque é o corpo que os permitem existir.

Entendo que comentar que tenho um corpo, pode levar, e acaba por levar, a um erro de interpretação, como se o eu, ou os “eus”, pudessem existir independente do corpo. Muitos, entre estes religiosos e místicos, mas não somente limitado a estes, mais do que possuem esta impressão, afirmam ser ela verdadeira, e para isto possuem suas argumentações, e entendo o que sentem e creem como verdade, mesmo sem concordar com o ponto de vista deles. Pessoalmente discordo frontalmente deles. É o corpo, que em especial pelo seu circuito neural, de altíssima complexidade, que em plena realização bioquímica possibilita a emergência dos “eus” que me compõem (possibilita a emergência da mente, consciente e inconsciente, e destas os seres que me fazem ser quem sou). Assim, um corpo, em plena execução de sua funcionalidade, por sua bioquímica, é quem acaba por possuir os “eus” que eu sou, e não o contrário, por mais que assim o desejemos, pelo menos por enquanto, até que tenhamos atingido um nível de conhecimento e de tecnologia tal, se não nos destruirmos neste caminho, que venha a permitir “cópia ou duplicação” de cérebros, ou algo como download/upload da “rede neural e suas conexões”, para outro cérebro, ou mesmo para algo como um cérebro eletrônico ou computacional, ou mesmo para um misto “ciborgue” de cérebro biológico e eletrônico. Quando isto acontecer, a eternidade será algo comum. O que a evolução biológica deu início pela reprodução sexuada, a morte, a tecnologia poderá por fim. Por enquanto este ainda é o meu primeiro, único e último corpo.


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