A mágica

A mágica que não existe, é mágica que encanta, é homem mágico que cega na saga do cego pela mágica que busca, é parte da irreal realidade que nos convence, que nos move em quase estase pela mágica que sequer mágica faz, que engana-nos transformar porque no fundo a mágica transcende nosso poder e nos faz ilusoriamente menos mortais. Muitos de nós somos crianças que buscam na mágica certezas que não possuem, explicações que não encontram, crenças que poderiam ser verdades, alegrias que se perderam, esperanças que adoraríamos fossem verdades, nos esquecendo que são meros truques, ilusões e enganações.


Poetas da justiça, crentes na mágica, nos prostramos em círculos de mãos dadas com a confiança de que a mágica pode ser real, de que se não é, basta crer com vontade para que possam ser. Mãos que acariciam, que abençoam, mas que também castigam os que a si próprio se castigam por não crer na mágica. Mágica que reprime, que assusta, que nos faz mais iludidos por esperar da mágica aquilo que não podemos ou que não temos a coragem de tentar. Boa parte da minha vida soletrei o nome do paraíso, no poder teórico que mais mágica é do que parece. Arco íris dos céus, arco íris do demônio, arco-íris que nossa íris impacta, com ou sem arco. Mágica das cores que nos seduz sem ser. Mágica de não ser o que é, mágica.

Viajante no tempo, toda a minha vida me escondo na procura de meu lar, do lar de meus seres, dos seres que habitam meu lar. Mágica que distrai, mágica que me faz poderoso em um poder mágico, que mágica é, porque não pode mágica não ser. Mágica do poder que não sendo mágica, nos cega e nos faz falsos cordeiros na ilusão de que a mágica está conosco, é por nós, e nos faz mais humanos.

Versão estendida do porque, versão corrompida do como, versão perdida do para que, sendo versão mágica do quem.

A mágica do que não existe, existe como mágica, que não sendo, nos encanta, nos faz cegos ao que nos ilude, e nos ilude exatamente por que nos faz cegos ao que é.

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