Acredito em coisas que não sei

Eu acredito em coisas que não sei, mas eu não acredito naquilo que sei posto que saber remove a questão de acreditar. O fato de crer me impõe não saber, ou um saber incompleto. Eu não posso crer na gravidade, pois sei que a gravidade é um fato, e não se faz possível ou permitido crer ou não crer na gravidade, ela é um fato comprovado, o mesmo já não se pode falar do meio ou das engrenagens reais que movem e dão sustentação a gravidade, posso crer na deformação espaço temporal, mas posso também crer no gráviton, ou posso não crer em nenhum destes e acabar por crer em outro mecanismo real para o efeito da gravidade, efeito este que é indiscutível. 


Mesmo para crer naquilo que não sei (única forma livre a crença ou a descrença), busco mínimos que sejam indícios ou evidências, mesmo que superficiais, buscando certa aderência racional ao que conheço, e me obrigo certa análise crítica para que possa crer sem me perder em impossibilidades lógicas, ou inconsistências com o que sei. Crer é diferente de saber, mas crer jamais pode ser independente e incompatível com o que já conhecemos e sabemos.

Por mais que me esforce ou me dedique a crenças, estas jamais poderão transformar o real, pois o real não é o que creio, e nem se dá ao trabalho de se preocupar com o que pense ou creia, o real existe independente do que possa crer. Somente ações, atitudes, comprometimentos podem transformar o real que ainda não aconteceu. Não a crença que transforme qualquer real. O real não é uma questão de crenças, o real é uma questão de estudo, de experimentação, de aprendizado, de aceitação e de realização. 

Da mesma forma que saber não é uma questão de crença, acreditar também não é e nem pode ser uma questão de fé, a fé por definição requer algum ou total nível de cegueira, a crença requer algum nível de indício ou evidências, requer alguma lógica e postura crítica, e o saber requer total apoio lógico, requer evidencias, requer provas, requer tentativas várias de refutação sem sucesso, mas o saber pode ser ele mesmo a própria refutação, eu sei como impossibilidade aquilo que refutei. 


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