Como a lua, temos faces

Como a lua que possui uma “face” sempre livre para ser observada diretamente por nós, e uma “face” que ousa ficar da maioria absoluta de nós escondida e oculta, nós mesmos, muitos de nós, também possuímos duas “faces”, talvez até mais de duas, uma é aquela que todos veem, que tornamos consciente ou inconscientemente (parte consciente e parte inconsciente) pública, disponível a todos, outra (ou outras) face(s) mantemos escondida da sociedade (consciente ou inconscientemente), as vezes até mesmo escondida de nós próprios. 


Eu sei que somos complexos, que cada um é cada um, e que pode ser leviano de minha parte generalizar, assim antecipadamente me desculpa a aqueles que sinceramente acreditam ter uma única face, mas mantenho minha crença de que no fundo, sem maldades ou mentiras consciente, todos temos varias faces. Uma face tratamos de embelezar, de maquiar, de abrir sorrisos e fazê-la bem vista por todos, outra face, muitos de nós sequer tem coragem de conhecê-la em profundidade, pois nos chocaria muito se a descobríssemos em totalidade (as vezes não se trata de mera vontade de não conhece-la, muitas vezes estamos impossibilitados mentalmente de a conhecer). Perdoem-me os irmãos, mas sinceramente acho difícil que todos (ou mesmo a maioria) tenham uma única face em plena realização do viver. Posso até aceitar que conscientemente existam pessoas de cunho mental bem mais humano que a média, que possam assim ter a impressão de terem uma única face em seu ser, mas é da própria natureza da funcionalidade do cérebro, que a parte inconsciente seja muito maior e mais profunda que a parte consciente, e no submundo do inconsciente, não necessariamente ruim ou desumano, mas apenas inconsciente, sem acesso direto pela consciência, podemos ter faces que desconhecemos, algumas delas talvez jamais as conheçamos. 

No caso da lua, a face oculta não esconde de nós nada muito diferente ou especial, sendo esta tão bela e tão estéril quanto a outra, mas quanto a nós, a face oculta de nosso ser muitas vezes nos envergonharia se pudesse ser tornada pública. 
E daí, devemos entrar em desespero por isso? Não,  apenas devemos ter alguma consciência de que muitas vezes não somos realmente o que parecemos ser, e nem o que acreditamos que somos, e este pensar deve valer para todos, para mim, meus filhos, amigos e desconhecidos. Antes de criticar ou culpar um irmão, muitas vezes por fatos mínimos, devemos lembrar que no fundo podemos ser piores que ele. 
Com isto quero dizer que os erros não devem ser punidos? Novamente não, se erramos devemos pagar pelos nossos erros, e isto deve, de novo, valer para mim, meus filhos, amigos ou estranhos. 
Com isto quero dizer que um erro inconsciente não deve ser punido? Mais uma vez não. Quando erramos, consciente ou inconscientemente, fomos nós que erramos, foi o ser vivente que domina meu corpo quem errou, assim devemos ser passíveis de punição normal, talvez com alguma redução de culpa, mas jamais sem culpabilidade alguma. 

Não quero neste texto discutir a forma da punição, primeiro porque cada caso é um caso e segundo porque no fundo não tenho a certeza de ser o processo de reclusão penal a melhor alternativa, mas para desespero de alguns, entendo categoricamente que para alguns crimes, praticados de forma consciente ou não, devemos retirar o direito a liberdade deste praticante, quem sabe até o direito a vida, pelo bem da sociedade, pois claramente, certo ou errado, entendo que o bem social deve sempre estar acima de todo e de qualquer bem pessoal.

Não sou dono da verdade, e sequer sou profundo estudioso de direito, mas sou um curioso pensador das liberdades, direitos e obrigações sociais e humanas, e assim me sinto no direito de opinar, mas retornando ao que deste texto, após breve digressão, entendo sinceramente que todos temos muitas faces, pois que todos temos muitos seres processando em paralelo em nosso cérebro, onde apenas um emerge como ser consciente, e mesmo assim, as vezes, muitos de nós, tratamos de segregar neste ser consciente e mutável, sua porção mais feia para que, se possível, ninguém a conheça. 

Como a lua temos “faces”, mas diferente desta, as faces podem ser bem diferentes, e algumas delas poderemos jamais conhecer ou torna-las conscientemente percebidas. Isto não significa que tenhamos necessariamente “faces” más, desumanas ou vergonhosas, mas possivelmente as temos sim, todos nós.

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