Natureza, um livro aberto

A mais forte das tempestades é, mesmo assim, impotente para por fim ao sol, ela apenas o consegue esconder de nós. A mais forte de nossas tempestades, é nada, frente a mais fraca das tempestades solares, e o sol, majestoso como só realiza seu existir em inimaginável quantidade de poderosas tormentas. Nem a noite, em seu mistério, beleza, e poder, consegue dar fim ao sol. Mesmo o sol, em sua efusão de luz e gravidade, tem seus dias contados.


O sol quase que se perpetua, belo, forte, e majestoso, cortejado de súditos que o circulam, e assim segue, em si, indiferente a passageiras tempestades terrestres, solares ou mesmo em algum outro planeta seu. Não se abala também com os ciclos de noite e dia. O sol seria injusto por isto? Não. Apenas é ele, e como toda a natureza, é aético. Ele realiza sua existência de forma natural, democrática, independente dos valores humanos de bondade ou maldade, de justiça ou injustiça, de ética ou antiética, ou mesmo de humanidade ou desumanidade.

O que isto pode nos ensinar? Quase nada e muita coisa, depende de como olhamos para a experiência real, sempre subjetiva, da natureza e de nós mesmos. Posso tirar relações, posso cair na indução de revelações, posso crer sem prestar atenção, posso prestar atenção sem crer, mas posso e devo sempre buscar deduções e racionalidade, sem idealismos utópicos ou irreais. Posso buscar justificativas para um viver, bom ou mau, interpretando a realidade aética como justificativa para comportamentos descompromissados para com o humano e o social, mas posso ao contrário buscar na naturalidade aética da natureza aprendizado para levar uma vida livre, mas donde minha liberdade esteja envelopada em regras na qual, sem interesses pessoais, outros seres, outros corpos, possam participar e criar um sistema coeso e equilibrado, onde todos formam um só complexo e onde este complexo permite a identidade individual de cada um. Mas cada um pode, ao seu critério, e se acreditar que valha a pena, pensar e se questionar, não somente sobre o sol e o sistema solar, mas sobre toda a imanente natureza. Pode ser que disto consigamos alguns ensinamentos, mas a decisão é sempre pessoal, e a interpretação/aprendizado também o é. Podemos quando muito trocar opiniões e discutir nossos aprendizados, mas cabe a cada um de nós construir nossa estrutura de conhecimentos, e é somente cada um de nós que pode aceitar, reforçar, alterar ou refutar sua rede de conhecimentos construídos, e de qualquer forma, é a curiosidade um ótimo começo, e é o método científico o melhor caminho.

A natureza é um livro aberto, às vezes de difícil leitura e compreensão, mas depende de cada um buscar esta leitura, ou preferir ignorar e viver sua individual vida. Não sei quem está certo ou quem esteja errado, não sei sequer se existe o lado certo e o lado errado, não sei se estou eu certo ou errado, mas creio que desperdiçar a oportunidade de aprender com a natureza é um luxo que não me permito.

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