Sou louco, talvez mais do que um pouco

Sou louco, um pouco, talvez mais do que somente um pouco. Com certeza sou louco por aceitar muito do que vejo. Sou louco na útil loucura que o sistema deseja e induz, na loucura da omissão, na loucura de aceitar o estado econômico-político que catequiza e anestesia nossa revolta humana pela pregação de uma ilusória esperança, pela aceitação, e pela crença de que alguém está vendo tudo e no controle para que reserve um amanhã de dignidade, aqui ou lá fora, agora ou em alguma vida futura, para todos os que agora sofrem, bem como guarda o inferno para aqueles que hoje fazem irmãos sofrer.


Sou louco por acreditar e me iludir que seja realmente louco, quando na verdade sou mesmo é desumano, interesseiro, conivente, e insensível, quando aceito calado e sem revolta tudo o que vejo, e que muitas vezes ajudo a manter por minha nojenta omissão. Cada vez que me calo sou um monstro a serviço do desserviço humano. Cada vez que me omito, sou um ator desnecessário para este mundo, mas sou um elemento essencial e necessário à máquina política do estado dominante. Quando me calo, induzo outros a se calarem também, quando me omito sou exemplo de omissão para muitos outros, e o estado agradece.

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