Todos morremos

Todos morremos, uns em momentos de felicidades, outros em momentos de sofrimento, mas todos morremos. Nossas chances de realizar alguma transformação se finda na última de nossas transformações, a do viver para o morrer, a do ser algo para um nada ser, da temporalidade fatal do existir para se perder em pleno nada, a do poder algo fazer para ser somente lembrança. Todos nós sempre vamos para a eternidade do não mais ser, do nunca mais ser.


A morte ainda é uma das certezas absolutas que tenho, se estou vivo, se alguém está vivo, se alguém já esteve vivo, um dia estarei morto, um dia estaremos mortos, um dia todos tiveram suas mortes. Inapelavelmente, ninguém escapou das garras e do escopo da morte. Secular ou religioso, não houve, e não há apelação, mistérios ou milagres, nada que liberte ou tenha libertado alguém, pelo menos um, de seu abraço. Crianças, homens, idosos, homens deuses, todos morreram, todos tiveram que morrer, todos morrem, todos tem que morrer, cada um sua morte, seu ritual, seu mistério, a sua história ou estória, nós todos morremos ou morreremos. Apesar de sua total e natural realidade, a do morrer, em cada morte, nunca ninguém a experimentou realmente. O morrer é algo sem experimentação, sem experiência, alguns até podem ter experimentado a quase morte, mas não morreram e assim não experimentaram a morte, porem até estes um dia morreram, e nem eles a conheceram pois que como todos os que já morreram, enquanto vivos não sabem o que é morrer (podem conhecer o medo da morte, podem até saber o que seja quase morrer), e quando mortos, não mais existiremos para conhecer o que seja morrer, em sua plena realização.

Todos morreremos, cada um a sua própria morte.

Entre o nascer e o morrer, realizamos uma breve janela de tempo que foge da normalidade do nada ser, que tal aproveitar bem este breve interstício do nada que já fomos, para o nada que seremos.


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