Bem-vindo


Bem-vindo ao sanatório do que somos, acreditando sermos quase perfeitos, ou mais além, acreditando-nos a imagem e semelhança de alguma perfeição transcendente, o que nos faz superiores e isolados espiritualmente do legado natural e animal da natureza como um todo. 

Mandatos suicidas que nos destroem e nos levam as estações dos abismos humanos, simplesmente por que nos achamos perfeitos e ficamos prepotentes e arrogantes quanto ao certo e ao errado, quanto ao justo e ao injusto, quanto ao ser e ao ter, quanto a dar e a receber, quanto a dividir e a colecionar, quanto ao merecer, ao recompensar, ao fazer jus, e ao se apoderar. 
Belezas perdidas, insanidades humanas, ao sul de um inferno presente, a nordeste do céu idealizado, no topo do falso purgatório, dentro de mim, próximo ao eu que somos, assim iludidos construímos nossa massa falida de humanidade, nos percebendo como fermento de algum bem, e fomento de alguma paz. Acredite, todos podemos estar mascarados, podemos ser imagem construída do que realmente não somos, mas que acreditamos ser. Eu devo muito estar mascarado, mas sendo esta uma das máscaras que me fazem sentir e parecer humano, sendo no geral socialmente desumano, devo me agarrar a ela no mero intuito de iludir a mim mesmo e aos outros, de que seja eu humano. 
Abandono o mundo, a sorte daqueles que sequer sabem das mascaras que lhes cobrem a existência, horas por medo, horas por descaso, horas por falta de empatia e sensibilidade humana. Por isto talvez não valha uma letra do que escrevo. Irmãos morrem de fome e do abandono sem que meu sangue suba à fonte, da fonte da coragem, da ousadia de tentar, da vanguarda de transformar, pela simples falta de ousadia de tentar e da falta de alguma humanidade social para me transformar.

Janelas que se abrem ao som de sinos. Trombetas ou chamados que nos distraem, apenas para que nos iludamos um pouco mais, de que basta esperar, de que basta pedir, de que basta implorar, de que basta viver na esperança de que por detrás da porta não esteja a fome ou um miserável revoltado e sem nada a perder, que por traz de cada porta que nos isola da real miséria humana, não esteja alguém que amamos em plena realização desta exclusão social, que maltrata a vida e a alma vivente de muitos, e como alguém que se vê inocente e sem culpa alguma por toda a miséria humana, temos fé, que nada é e, si, pois que é crença sem justificação lógica, e continuamos torcemos para que por traz de nossas portas haja felicidade e alguma solução para o descaso e o abandono humano. 

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