Cem por cento verdadeiros

Apenas somos cem por cento verdadeiros, na morte. E somos verdadeiros simplesmente porque nada mais somos, somos cem por cento nada e assim o seremos por toda a eternidade do que este nada possa ser. Verdadeiramente mortos, ninguém mais finge, mente, tem interesses, ou engana aos outros ou a si mesmo. A vida humana é um espaço de tempo mínimo perdido entre o longo nada que éramos e o eterno nada que seremos, é uma espécie de poluição deste nada, e onde muitos de nós ainda fazemos por onde tornar mais sujo, vergonhoso, desumano, repugnante e nojento este breve segmento de tempo.  


Com todo respeito a quem pense diferente, mas entendo ser de uma mentira absoluta aquele que fala “sempre fui verdadeiro”. Ouvir de alguém “nunca menti”, ou “sempre fui verdadeiro” me choca profundamente, pelo tamanho da mentira, pela ingenuidade deste ser, ou pelo descaso e displicência por tudo que faz, pensa ou fala, por nunca terem percebido suas próprias mentiras. Por favor, não quero dizer que todos mentem o tempo todo, ou que todas as mentiras são cabeludas, quero dizer que ao longo do tempo, mentimos aqui ou acolá, muitas vezes até mesmo porque sinceramente acreditamos que uma mentira bondosa possa ser melhor que a dor de uma seca, fria, assustadora, ou dolorosa verdade, uma vez que a verdade em si não possui maior relação com amor, apenas a de que alguns amam buscar as verdades. A verdade é em si independente de valores, e algumas vezes é ela não intuitiva, sendo muitas vezes confundida com nossa interpretação subjetiva que fazemos desta verdade (que por si só tende a ser contaminada pelos filtros de nossos preconceitos e crenças), e que por mera facilidade, diversas vezes, acabamos por buscá-la ou percebe-la apenas na superficialidade dos fenômenos e não na profundidade das entranhas da realidade, mesmo que em muitos casos nunca cheguemos à essência absoluta de todas as verdades, mas onde com a busca da verdade, nos subterrâneos da realidade, percebemos que a ilusão inicial da imagem percebida do fenômeno em si pode ser equivocada. As mais simples que me lembro, mas que mostram como podemos estar enganados quando ficamos apenas na superficialidade dos fenômenos, são a falsa ideia que nos ilude visualmente de que todo corpo material seja contínuo (quando todo corpo matéria é mais espaço vago do que matéria alguma), de que realmente tocamos algo (quando jamais tocamos, a sensação de toque é reflexo de forças elétricas repulsivas), ou mesmo de que a matéria tenha ela mesmo cor (quando cada átomo em si, cada partícula subatômica em si não possui cor alguma), de que sol “nasce” e circunda a terra (quando na verdade é a terra quem circula o sol, e por este erro de interpretação alguns foram mortos na defesa inescrupulosa de crenças erradas), ou que olhar seja uma ação ativa (quando na verdade são o reflexo das ondas eletromagnéticas que incidiram sobre o objeto que chegam até nossa retina e nos faz parecer que somos nós que estamos ativamente enviando um algo até o objeto para que possamos ver). 

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