Suntuosidade e necessidade

Muito me incomoda perceber, ou crer que percebo, como algumas atitudes afloram nossa hipocrisia, simplesmente por serem incoerentes. Posso estar errado, adoraria estar, mas me parece de uma insensibilidade humana absurda, parece-me falacioso crer que seja necessário gastarmos enormes recursos, construindo templos magníficos e suntuosos, simplesmente para orarmos, pedirmos ou agradecermos a um deus, qualquer deus, que deveria ele mesmo, se existisse, dar muito mais valor as obras reais em prol da verdadeira transformação por uma inclusão social de milhões de miseráveis, pelo investimento sério em ciência para o bem estar social, para a cura de males físicos e mentais que levam ao sofrimento milhões de pessoas. Se deus é realmente onisciente, eu não precisaria orar e nem agradecer, pois que minhas obras seriam a melhor oração e agradecimento, que ele já saberia simplesmente por ser onisciente. Se deus é realmente onipotente, não precisaríamos de templo algum, nem precisaríamos orar, pois que ele teria todo o poder de fazer acontecer o que seria preciso acontecer e dar força para as obras sérias em prol da dignidade social, natural e humana. Se deus é realmente onipresente, ele estaria com todos nós, o tempo todo, e perceberia nossa real ou irreal vontade de incluir socialmente milhões de excluídos. Então volto a me perguntar, porque templos enormes e suntuosos? Para matar a fome de alguém, para tornar mais social este liberalismo econômico, ou simplesmente para satisfazer o ego de alguns e as fraquezas vaidosas de outros. É certo que podem construir templos cada vez maiores e mais suntuosos, sim, podem fazê-lo a vontade, o que me incomoda é a contradição que entendo no uso dos recursos, que seriam para mim muito mais bem gastos com educação, saúde e alimentação dos excluídos.


Um dia escutei que pobre gosta de riqueza, por isto a suntuosidade de alguns templos. Brincadeira, só podia ser brincadeira, no fundo por uma questão plástica e de certa vaidade, todos gostamos de alguma riqueza, agora transferir para os pobres a culpa pelas nossas vaidades é dose de leão... Encerrei a conversa... Sinceramente não interessa o que pobre gosta, interessa o que ele precisa, e tenho a certeza que ele vai gostar do que precisa, aí então ele vai, aos poucos, refazer seus gostos. Vamos supor, sem referência de verdade alguma, que pobres gostassem de fazer tiro ao alvo com crianças, clérigos e pastores, seria justo deixar acontecer apenas porque pobres gostassem daquilo? É obvio, é claro que não! Deveríamos proibir, e mostrar que tal ato é desumano e injusto. O importante é o que os pobres e miseráveis realmente merecem e precisam. Necessitam de trabalho digno, de saúde pública digna, de educação pública digna, de segurança pública digna, de infraestrutura pública digna, de transporte público digno, de saneamento público digno. Necessitam de serem incluídos socialmente, de serem tratados como gente, necessitam de terem acesso a oportunidades reais, a cultura, a lazer e a conhecimentos, necessitam ter motivos para confiarem no estado e na sociedade, para construírem com tudo isto uma auto estima humana forte, talvez o que eles menos necessitem seja de templos suntuosos. Emergencialmente, necessitam de caridade, mas necessitam de real inclusão, pois que somente a caridade nada transforma. Precisam realizar a dignificação do seu viver e assim construirão novos gostos, novos desafios, novas realidades.... Hummmm, pensando agora com calma, talvez se os pobres e miseráveis tivessem uma vida humana e socialmente digna, com tudo o que merecem e minimamente necessitam, talvez não quisessem templos suntuosos, e aí... 



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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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