O que importa não é ser diferente, e sim ser coerente


O que importa não é ser diferente, e sim ser coerente.

Importa ser Diferente, quando ser igual implica apenas em manter a mesmice do que aqui hoje já está, quando a revolta natural é necessária, pois sem ela nada mudará. Importa ser diferente quando ser igual nada de diferente faz pela inclusão social e por uma distribuição de riquezas humana e socialmente justa.


Importa ser Igual, apenas e tão somente quando ser igual significa humildade de ser humano como todos, de ser falho como todos, de ser semelhante a todos, mas principalmente importa ser igual quando juntos ou próximos a aqueles que ousam se doar e se comprometer pela transformação pessoal e pela luta de uma transformação social, mesmo que o custo inicial pareça alto. Importa ser igual apenas aos poucos que se expõem contra o estado de injustiça social que nossa sociedade “humana” perpetua.

Porém, o que mais importa é ser coerente. Coerente com o que se fala, com o que se pensa, e principalmente, ser coerente com o que de atitude, comportamento, ação, e revolta seja necessário para uma transformação de nosso ser e da sociedade exclusora, exploradora e desumana, que aqui jaz protegida e impulsionada pelo sistema desejado pelos que detêm o poder econômico, político, religioso e secular. A opção religiosa em nada nos faz, por si só, mais humanos, dignos ou sociais, em muitos casos até piora estes estados. A opção de não ter religião, ou de não crer em nada transcendental também, por si só, não é garantia alguma de maior humanidade ou melhores responsabilidades e comprometimento social e humano. Agora, uma posição político-econômica faz muita diferença quando o assunto é inclusão social, e fim de toda e qualquer opressão e exploração humana pelo desumano, e sempre passa por uma educação séria, integral, multidisciplinar, laica, crítica, motivada e motivadora. Talvez seja exatamente por isto que a educação seja tão desvalorizada pelo sistema como um todo, não obstante as constantes falácias divulgadas em contrário, e os factoides que dão noticias de valoração real da educação. A educação só ganha alguma força neste sistema, quando o econômico se vê refém da necessidade de melhorar alguma coisa para que sua mão de obra seja mais produtiva e aderente as novas realidades industriais, mas mesmo assim o foco é somente na instrução, não na educação. Que a mão de obra tenha algumas habilidades melhores sim, mas que seja capaz de pensar, refletir e revolucionar, nunca. Para o sistema basta apenas que uma minoria possa se apoderar das capacidades de pensar, refletir, e escolher os destinos de todos os outros. Basta a esta minoria, que a maioria acredite que tenha o poder, pela capacidade de escolher seus representantes periodicamente em eleições, mesmo que estes eleitores, pelo menos a maioria absoluta deles, não se perceba de que é o próprio econômico quem os induz a votarem e escolherem este ou aquele, mantendo assim o ciclo dos poucos (muitas vezes os mesmos, ou familiares dos mesmos, ou então pessoas do ciclo direto destes) dominando e direcionando os muitos.

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