A Felicidade

A felicidade não bate a porta de ninguém.
Esperar por ela de nada adianta.

Entendo a felicidade como um pouco de estado de espírito,
um pouco de busca e construção,
muito de amar o que se tem,
bastante de abrir mão de qualquer esperança,
um pouco de sorte, mas daquela sorte de quem procura,
na confiança de que uma felicidade contínua é impossível,
e na certeza de que a felicidade plena, impossível também é
(simplesmente porque é impossível ser plenamente feliz enquanto existe sofrimento neste mundo, e em especial enquanto crianças sofrem).


Assim, mais felizes seremos, quanto mais minimizarmos causas de dores e sofrimentos, e quanto mais certezas tivermos de que ousamos trabalhar pelos que sofrem, não somente de forma caritativa (que é necessária na situação emergencial da fome e do abandono), mas também da luta sincera pela busca de uma transformação de nossa sociedade, tendo início esta transformação por nós mesmos.

Toda felicidade, momentânea como é, é bem vinda, mas sabendo que não existe felicidade dissociada da construção de nossa vida, ou mesmo a revelia da realidade existencial. Felicidade descomprometida com a natureza e com o social não é felicidade, é alienação ou insanidade. Desta forma a imagem do sábio, eternamente feliz, descomprometido com a melhoria da realidade social, do sábio que se fecha em si mesmo e que não sofre empaticamente pelos outros não pode ser verdadeira para mim, é desumana, e desta forma ou é uma falácia ou mostra apenas um insano alienado.

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