Liberdade

Certo ou errado, eu entendo que uma pessoa, qualquer pessoa, somente pode se sentir livre, somente pode respirar o ar da liberdade que gostaria de sentir, somente pode se achar livre, no momento em que todas as demais pessoas, irmãs em espécie, próximas ou distantes, aliadas ou oposicionistas, conhecidas ou desconhecidas, também possam se achar livre, se sentirem livres. Assim, minha liberdade deveria ser autonomamente regulada, limitada, e demarcada pela liberdade dos outros, de tal forma social onde todos fossemos então livres, livres responsáveis, livres comprometidos com a liberdade dos outros, libertos em nossa demarcação, que é ela mesma demarcada por cada um, em uma relação social com todos os demais, perfazendo um só corpo social.


Infelizmente entre o que eu entendo, penso ou desejo, e a realidade, existe uma separação abissal. O que eu vejo é que algumas pessoas são mais livres que outras, e por quê? Porque a visão acaba restringida, empacotada, deformada e parcialmente destruída pelos interesses do poder. O poder demarca não só a relação social, não o envolvimento coletivo, não só a empatia pelas nossas diferenças, mas o poder em si, todo poder, o político, o econômico, o religioso, o da força bruta, o da intelectualidade, o dos interesses comerciais, cada um aí a seu modo, demarcam, para os que os possuem, maiores liberdades, e para os outros, na medida de suas fraquezas, liberdades inversamente proporcionais ao poder que possuem, delimitam e demarcam assim menores liberdades, chegando aos excluídos, com a única liberdade de morrer ou sobreviver como puderem, com o quase nada que lhes sobram de liberdade, direitos e bens materiais.

Liberdade não significa e nunca significou libertinagem, desrespeito ou descaso social, a liberdade implica em respeito à liberdade e aos direitos dos outros, sem nos esquecermos de nossas responsabilidades e deveres naturais, humanos e sociais.



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