O bem

O bem não existe para ser somente adorado, admirado, amado ou venerado, se é que ele exista. O bem existe, se existe, para ser praticado e para ser universalizado. 

O medo, nenhum medo, é razão para dar luz ao bem. O bem não é, nenhum bem o é, para ser praticado como obrigação do medo, com, ou no temor, de qualquer coisa. Nenhum medo é justificativa ou alavanca para nenhum bem, ou não deveria ser. O bem é fruto de vontade, de decisão, de compromisso, as vezes, muitas vezes, com coragem é verdade, mas o bem, todo bem, é algo a ser construído nas ações, e amado nas atitudes. O bem, como toda ação, possui dois lados, o de quem o pratica e o de quem o recebe. Para quem o recebe, o bem, independe de sua origem, é sempre um bem, pois para quem o precisa, toda ajuda, toda atenção, todo apoio é importante, entretanto, para quem o faz, a ação pode ser realente um bem, feita com vontade, com doação, com empatia, com amor, ou uma mera ação de interesse, de vaidade, ou de medo.  


O temor muitas vezes leva a admiração, mas o bem não pode ser fruto de temor algum, pelo menos o bem praticado, uma vez que o bem recebido, para quem o recebe, independe se feito naturalmente, de vontade própria, com comprometimento humano e social, ou se pelo contrário foi por puro temor, por medo, por pura vaidade, ou como forma de agradar algo ou alguém. Para quem o recebe, vale a ação em si, para quem o pratica, vale além da ação a intenção, os motivos que operam na realidade daquele ato, mas para o alvo do bem, isto é o que de menos interessa, uma vez que a necessidade é a primeira das leis, e acrescento eu, mais cedo ou mais tarde será o primeiro dos motivos e justificativas.

Talvez seja aqui que a ética e a moral pura, humana e social, se distinga das religiões, ou mesmo se oponha a elas, principalmente para aqueles membros que agem por temor a alguma entidade superior, por vaidade ou por interesses pessoais de troca ou de imagem, por medo de punição, ou pela simples crença de estar colecionando bônus para troca futura.

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