Vivo em razoável desesperança

Vivo em razoável desesperança sem, contudo, ser algum desesperado. Ao longo do meu viver abri mão de quase todo o sentido ou sentimento de esperança, não de absolutamente toda, pois que ainda busco minha humanidade, porem daquela esperança que de mim não dependa, abandonei-a (ou tentei abandonar) pelas estradas do viver. Sou humano, e assim sou tentado, horas por outras, com esperanças, isso é normal, isto é humano, o que creio falho é se entregar à esperança, cega e abertamente, como possibilidade, como alternativa, ou pior, como verdade e como alcance real.
Alguma esperança, até mesmo como torcida, pode ser motivadora ou mesmo tranquilizadora, mas se entregar ou se agarrar a esperança, que pode por si só nunca ser alcançada, pode e muitas vezes é uma porta para o sofrimento, ou pode ser utilizada pelo sistema, pelo poder civil ou religioso, como domesticação, como eliminadora de ousadia de ação, ou mesmo como forma de nos fazer inativos, em nome de factoides de esperança. Como já dizia uma letra antiga, “Vem, vamos embora; que esperar não é saber; quem sabe faz a hora; não espera acontecer”, e se não sei, a esperança é em geral a pior alternativa, não é motivo para parar, devo continuar caminhando, indo, indo embora não do alvo mas sim indo embora da inação, devo agir, ousar, buscar, pesquisar, e me expor na procura ou na luta pelo alcance de todo e qualquer bem naturalista, humano, ou social.


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