Você, seu Self

Você ancorado em seu corpo, mais do que isto, você integrado com o meio, você, agindo e reagindo com você mesmo e com o meio, este é você. A visão do seu self como algo autônomo em si só, independente, senhor absoluto de si, algo que existe independente e indiferente ao seu corpo e ao meio que te cerca é cada vez mais romântica e falaciosa.


Seu self, nosso self, não é determinista e nem é criação, é muito mais uma composição de natureza amorfa e mutável, e assim não faz sentido esta pergunta: Meu self é determinado geneticamente ou é ele uma construção social? O meu self, o nosso self é muito mais complexo que esta simples e binária pergunta, ele é uma integração, uma interação, uma eterna transformação do que havia de determinístico, com o que o social o fez transformar-se, mas é mais ainda, ele é a influência contínua da reverberação com o seu próprio corpo e com o seu inconsciente, fazendo-se ser uma eterna transformação. Impossível decompô-lo em determinação genética e construção social. Ele é muito mais do que isto, ele é resultado de um relacionamento recursivo e complexo, não linear, entre mente, corpo, meio externo, e com eterno feedback sobre ele próprio, tanto do consciente quanto do inconsciente. Desta forma, o self emerge de um circuito cerebral complexo, plástico e deriva constantemente dele próprio, de um relacionamento não menos complexo, múltiplo, e integrado do próprio ser com seu corpo, com o mundo externo e com o subconsciente que domina, ele próprio, a maior parcela deste ser.

Você é seu self, mas seu self é plástico, assim você é uma constante inovação de você mesmo, porque seu self é uma constante transformação dele mesmo.

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