Engano clássico de interpretação

Estava lendo um livro de um famoso pensador marxista, e me deparei na página 68 com a seguinte sentença “... na forma comum de ateísmo, deus morre para os homens que deixam de acreditar nele...”. Isto reflete um engano clássico de interpretação. Um ateu, nenhum ateu sério, mata ou odeia um deus, qualquer deus, pura e simplesmente porque para um ateu deus não existe, nunca existiu, assim impossibilitando, na raiz, que algum ateu o mate ou o odeie. Deus não pode morrer para nenhum ateu, ele apenas desaparece como alguma possível realidade, um ateu, nenhum ateu, pode assim matar qualquer deus. Um ateu, muito mais do que não ver necessidade de nenhum deus teísta, simplesmente não acredita na existência de deus teísta algum. Para que seja possível matar ou odiar algum ser é necessário que este ser exista, e que seja um ser vivo, de outra forma é impossível matá-lo. Ser ateu não significa nenhuma filosofia de vida, o ateísmo é exatamente, e unicamente, o que a palavra significa, a-teu, a-teismo, negação do teísmo, a negação pura e simples da existência presente, passada ou futura, de algum ser deus, ou melhor, de algum deus que aja.

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