Sou velho, não sou velho, estou velho

Sou velho, não sou velho, estou velho... (gostaria de comentar, visando minimizar críticas por mal entendidos, ou por apressada interpretação, que velho, neste texto, nada tem a ver com idoso, e sim com um certo tipo de comportamento em que acabamos por abrir mão de viver o presente, para ficarmos abraçados com o que já foi, com o que se foi no tempo. Quero também dizer que muito menos tem a ver com antiquado, pois que existem um cem número de fatos ou “coisas” que continuam sendo dignificantes hoje como o eram no passado e espero permaneçam assim por todo o sempre, como o amor, o respeito, a empatia e etc..).  Ser velho não é bom e nem ruim, horas foi bom, horas foi ruim, horas é bom, horas é ruim, talvez, em vários momentos, dual, sendo bom para uns e ruim para outros. Hoje o velho é somente passado, é somente história, é somente referência de acontecimento e fonte de aprendizado, não o velho por idade, mas o velho por opção de viver, por escolha de viver naquele passado, daquele mesmo passado, que não mais pode ser, e que nunca mais poderá retornar.


O velho é apenas o velho, o que já foi, o que não mais é, podendo ainda ser, sem ser algo de novo, sendo o refluxo do que ainda persiste em ser, o reflexo do não quer deixar de ser, e o medo do que temos pavor de deixar vir a ser. O velho pode continuar a ser, mas o que importa é o que é hoje, e não o que foi, mesmo que sendo ainda o que foi, mas é o presente que conta, e o passado deve somente servir de referência e de aprendizado. O velho que não se transforma, que não se ajusta e não se adapta é passado vivo em presente morno, mesmo que o novo seja igual ao velho, mas que o seja por adaptação e não por mera continuidade. O velho entrava o novo, tira sua ousadia e interrompe a superação que somente o novo pode trazer, mesmo que o novo possa em muitos casos ser parecido com o velho, mas que o seja por revolução, por renovação, tendo o homem, a sociedade e a natureza como objetivos de sua transformação social. Ser velho, estar velho, não tem nada a ver com a idade, tem sim com a postura de não deixar ir o que não mais é, tem a ver com o comportamento pessoal de acreditar que pode dar continuidade de vida ao que já se foi, sendo o que já foi. Não me refiro a idade, não me refiro a ninguém em especial, me refiro a realização do passado propriamente dito, vou falar um clichê mas é necessário que o velho se vá para que o novo chegue. Da mesma forma, o novo não é sinal de melhora em si só e nem por si só, não é sinal de ser, por si só, melhor que qualquer outra coisa, o novo é somente o diferente, a transformação, por estar ocorrendo agora, por estar sendo realizado na emergência contínua do porvir que ousa ser presente instantâneo, mas que logo já é passado, mas somente o novo, e sua contínua experimentação e realização, podem permitir novas adaptações e posteriores seleções. O ciclo do que ousa sempre mudar, prossegue pelo infinito presente que continuamente ousa se descortinar para o amanhã, mas que nunca deixa de ser presente, sendo imediatamente passado.

Sou velho, não sou velho, estou velho... não serei nunca velho, se, enquanto a passagem biológica se dá, eu estiver sempre em constante transformação de mim mesmo, em constante superação do que posso deixar de ser, pelo novo que possa vir a ser, pelo novo que não desperdiça o aprendizado do velho, mas pelo novo que possibilita a transformação, mas de nada adianta se não tiver, um pouco que seja, algo de revolta pelo que aqui está, e pelo que hoje sou...

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