Absurdo

Entendo que catequizar crianças seja um absurdo. Elas são simplesmente crianças, devem viver como crianças, devem realizar suas experiências do viver como crianças, experimentar o mundo como crianças, serem curiosas como crianças, e crescer enquanto crianças. Um dia chegará quando não mais serão crianças, neste momento elas poderão fazer suas escolhas livre e conscientemente. Mas como correr o risco de perder mais um seguidor, devem pensar os líderes religiosos. Catequese neles para que não sejam perdidos amanhã. Como é odiosa, para mim, a necessidade de manter e de buscar fazer crescer o poder religioso que alguns líderes religiosos imputam aos seus seguidores.
O que as crianças precisam é de amor, cuidados, atenção, proteção, e liberdade com limites para aflorarem suas curiosidades e sua ousadia de serem ousadas, pois que jovens que não tem um que da energia da revolta, uma vez que foram crianças catequizadas a aceitar e não a questionar, buscar, duvidar, pensar, criar, e destruir o velho para que o novo possa chegar, que não afloraram a ousadia de querer saber, querer entender, de questionar tudo o que aqui está, de duvidar das autoridades do saber, de questionar o sistema como um todo, são jovens fadados a uma idade adulta incapazes de pensarem, apenas sendo repetidores e continuadores do que aqui já está. Posso ter errado em muitas coisas, e errei com certeza, mas entre erros e acertos, consegui que meus filhos tivessem esta curiosidade revoltosa.

O que crianças precisam mesmo, junto com um amor sincero, é exemplos, coerência entre a fala e as ações, principalmente de seus pais e responsáveis, rejeito qualquer catequese e louvo os exemplos, a educação científica e natural, e o exercício de provocar a curiosidade, a dúvida, a busca, e um livre pensar. 


Ao invés de nos esforçarmos por catequisar crianças, devemos investir nossos esforços, vontade, energia e empenho em livrá-las da miséria, do descaso humano, da exclusão social, dando-lhes dignidade humana, dando-lhes proteção social, dando-lhes autoestima, ensinando-as que todos somos socialmente iguais, mas que elas vejam e sintam esta igualdade social. Nos escondermos por detrás de esperanças, esperando que algo mude, ou por trás de crenças e orações místicas ou mesmo míticas, não muda a realidade de milhões de crianças por este mundo a fora, e mesmo crer que a caridade possa salvar é uma ilusão, a caridade é uma necessidade premente sim, mas ela não salva nem a criança que virá a ser, se conseguir, um adulto, e nem a quem a pratica, pois que é uma obrigação civil, social e humana, e nada possui de transcendental, até mesmo porque segundo minha linha de pensar o transcendental, o místico, e o divino não existem, o que existe é esta realidade aqui, e a fome, o descaso, e a exclusão social existem sim, não são uma questão de fé ou de crença, é apenas uma questão de olhar e perceber, e deveria ser uma questão também de sentir, de comungar com os que a sofrem, de se comprometer em por fim a elas, de trocar o que hoje aqui está, e por fim de lutar com empenho por uma justiça humana e social.


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