Sinal de desumanidade

Se ao fechar os olhos nos vemos correndo com, e como, os “loucos” humanoides, perdidos de nós mesmos, sendo guiados por inválidos de humanidade, então já é passado, em muito, a hora de repararmos que a luz invisível, mas penetrante, do desumano e do irracional já acendeu, ou melhor, já está acesa a muito tempo, cegando nosso espírito mental, corroendo nossos alicerces psíquicos e destruindo nosso ser social e humano. O que nos cabe então? Tomar as rédeas do nosso viver e nos revoltar com o que vemos de nós mesmos e do mundo que nos cerca. Mas, e se não conseguirmos ver nossas falhas? Neste caso, creio não haver mais volta, somente a nossa própria leitura do irresponsável que somos, da insensibilidade que nos envolve, do desumano que nos tornamos ou do conivente (ou omisso) que aprendemos a ser, pode nos dar o empuxo necessário para nos tirar da inércia humana, ou melhor, da inércia desumana.

Quando em plena luz da realização de nosso viver não mais conseguimos ouvir o desespero dos excluídos e abandonados, quando não mais percebemos a perseguição preconceituosa que impomos à irmãos, simplesmente porque não professam nossa fé, não corroboram com nossas crenças, ou mesmo não não se alinham com nosso ser sexual, ou quando acreditamos que diferenças raciais existem (apesar de sermos uma única raça), ou quando acreditamos que as diferenças tornam irmãos piores do que nós, ou perigosos à nossa estabilidade, nos tornamos, assim, cada vez mais desumanos e nos esquecemos que a força de uma sociedade está exatamente na multiplicidade, na variedade, e nas diferenças, exatamente como a diversidade e variabilidade genética nos protege e permite melhores adaptações à mudanças no jogo da biodiversidade e das dificuldades climáticas, e desta forma acabamos por nos perder, e estamos assim fadados a cada vez mais ver nosso sentido humanidade se esvaindo pelos ralos de nossos interesses, de nossos preconceitos, e de nossa prepotência, e nos colocamos na beira da total desordem e irresponsabilidade humana e social.

Somos, eu, você e ele, este ou aquele, aqui ou acolá, responsáveis pelo que fazemos, mas também responsáveis pelo que deixamos de fazer, e entendo que já seria uma forte transformação se buscássemos sinceramente entender e praticar o respeito, social e humano, à todos. O simples ato de respeitar o ser humano, em todos, e a natureza, em tudo, já daria uma nova roupagem ao hoje combalido conceito de inclusão, fazendo do nós, mais do que eu e você, mas sim do eu, com você e principalmente com o eles, os diferentes, os distantes, os desconhecidos, os que sequer sabem que existimos ou que nem comigo necessariamente concordem. Muitos batem na tecla do amor como solução. O amor é forte para isto, mas entendo ser irreal e pouco pragmático exigir que verdadeiramente todos amem (apesar de possível) à todos, que alguém ame verdadeiramente um total desconhecido, do outro lado do mundo, e que pense política, econômica, religiosa e socialmente diferente do que pensamos. Mas podemos ensinar e exigir o respeito humano, não é o amor em sua plenitude, mas é muito mais fácil, prático e possível. Ninguém nasce odiando o próximo (talvez uns poucos com desvios mentais), aprende-se a odiá-los, então como a sociedade consegue ensinar ódio, pode ensinar respeito. Exigir respeito é mais fácil, mais prático, e neste caso, para a inclusão social, e para o fim de todo preconceito e de qualquer opressão, tão eficaz quanto o mais belo e puro amor universal.



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