Não creio em pecado

Não creio em pecado, e nem posso crer, uma vez que não aceito o transcendente, entretanto, creio no bem e no mal, apesar de sua linha divisória não ser algo rígido, creio no amor e no ódio, e entendo claramente que o ódio é um mal, creio no que constrói e no que destrói, mas não creio em pecados, nem sequer em sua teórica definição, mas se pecados existissem, ou se sua definição fosse meramente materialista e determinasse como pecado tudo aquilo que destrua ou ofenda a vida e a natureza, tudo aquilo que não leve a felicidade imanente e natural, do maior número de pessoas, no maior espaço de tempo, e pela maior área geográfica possível, entenderia que o maior dos pecados seria acreditar plenamente em qualquer coisa sem referencial racional, fenomenológico ou realista.
É claro que existirão eventos, fatos ou conceitos nos quais acabarei crendo sem forte relação realista, fenomenológica ou racional, mas esta crença é, e deve ser, fraca, no sentido de que tenho, e de que devo estar aberto e preparado para abrir mão delas a qualquer momento, tão logo evidências naturais ou racionais me mostrem estar errado, ou mesmo no caminho errado, que me mostrem impossibilidade ou total não aderência à realidade, ao possível e ao conhecimento cientificamente estabelecido. Algum ceticismo é para mim a melhor estratégia na busca de conhecimentos e de aceitação do que possa ser aceito, e no que se possa crer e aceitar, ou no que se deva evitar. A “realidade”, toda ela percebida, sentida, ou vivida como real, é sempre subjetiva e estará sempre no passado, por isso devemos ter muito cuidado com o que aceitamos ou rejeitamos, pois que subjetivo também é o ser que decide aceitar, crer ou rejeitar toda e qualquer coisa, e mais do que subjetivo, somos muito mais do que gostaríamos de aceitar, inconscientes, e inconscientes são muitas das forças que nos impelem a crer ou descrer de algo, a aceitar ou rejeitar qualquer algo.

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