Propósito do universo

Não possuo certeza absoluta de afirmar que o universo não possua propósito, mas tenho potenciais evidências de que ele não possui. Afirmar que o propósito do universo é abrigar e servir de passo intermediário para a vida humana, isto significa afirmar que o projetista foi muito ineficiente, pois a vida humana existe por apenas 0,0001 % do tempo de existência do nosso universo (uma infinidade de outros universos podem existir, alem de que pode ter existido algo, como as branas, antes do big bang que deu início ao nosso universo), em outras palavras, o projeto de possibilitar a criação da vida humana gastou 99,9999 % do tempo sem o surgimento da vida humana, que seria segundo os que acreditam, um dos propósitos gerais do universo. Se for mais restritivo ainda, e pensar apenas na vida do homo sapiens moderno, falo assim em algo como os últimos duzentos mil anos, a ineficiência torna-se maior ainda, o projeto gastou 99,99999231% do tempo para permitir a existência de um homo moderno, ou seja, este moderno homo existe a apenas 0,00000769 % do tempo de existência deste nosso ciclo de universo, sem extrapolar para um infinito tempo “anterior” ao big bang, ou a outros universos, ou a ciclos de big bang e big crunch.


Talvez o propósito do universo, conforme outros, tenha sido o de ter permitido a vida em si, mesmo assim ele foi também ineficiente, pois o projeto traz consigo uma infinidade de possibilidades de extermínio de vida. Ao longo do tempo, mais de 99,9 % das espécies desapareceram, e a maioria delas por cataclismos naturais múltiplos, que levaram ao fim destas espécies, Apenas como lembrança, os bem estabelecidos e dominantes dinossauros se foram, e junto com eles, em um único cataclismo, mais de 70 % de espécies viventes se perderam em um período geológico curtíssimo.

Nossa arrogância e prepotência nos faz crer que somos muito mais importantes que as demais espécies, que assim temos de ser fruto de algum projeto, e mesmo entre alguns que aceitam parcialmente a evolução, pela mesma arrogância, acabam por se ver (e assim a todos os humanos) como auge desta evolução, como se melhores fossemos, e assim mais importantes (basta percebermos como denominamos nossa espécie – Homo Sapiens Sapien), mas se fossemos o mínimo humildes, perceberíamos como frágil é nossa existência e como estamos a destruir nosso habitat apenas porque nos vemos como proprietários e donos de tudo sobre este planeta. Esta condição de nos vermos como seres superiores é agravada pela visão místico religiosa de que aqui estamos apenas de passagem para algo melhor e em um lugar melhor, e desta forma nos enganamos acreditando que este planeta nos foi dado por um criador, por sermos seu projeto maior, e desta forma teríamos o direito sobre tudo neste planeta, e se tecnologia tivéssemos, sobre tudo em todo o universo. 

O universo é o que é, e não aquilo que gostaríamos que fosse. O universo não tem propósito, e seu destino é desaparecer, independente do que queiramos, o esfriamento, e o decaimento farão com que somente existam ecos do que hoje existe. E se o universo tivesse algum propósito sério, não deveria ter nos deixado chegar até onde chegamos, destruindo a própria natureza, ou seja destruindo parte deste mesmo universo.

Já que o universo não possui um propósito, poderíamos traçar um nosso próprio propósito, que fosse desenvolver nossa humanidade e respeitar a vida como essência maravilhosa, toda a vida, de qualquer tipo e espécie, e assim respeitar a natureza, sua física, sua química, sua biologia, nossa mente e sua abrangência social.

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