Livre pensador


Ser livre para pensar não significa, nunca significou, e nunca vai significar ser um livre pensador, pois que com o mínimo de saúde mental, todos somos livres para pensar, entretanto ser um livre pensador é muito diferente. Livre pensar, ser um livre pensador, é ter o cuidado maior de se ver livre de quaisquer tipos de amarras culturais, religiosas ou seculares, é buscar não ser influenciado por nenhuma tradição, autoridade, ou qualquer dogma, é estar preparado para poder chegar a um impasse de “descobrir” que alguma crença, ou mesmo suas maiores crenças podem não fazer sentido à luz crítica de uma análise séria, profunda, e racional, pelo menos no enquanto o racional puder ser aplicado. Ser livre para pensar significa, apenas e tão somente, que podemos pensar, nunca, jamais significa que pensemos com a seriedade profunda que um livre pensar impõe. Ser um livre pensador não é fácil, eu nunca falei que seria, é necessário um sério compromisso com a busca da verdade, não a “superficial verdade” dos fenômenos, mas a real e profunda verdade que dão sustentação ao fenômeno. Revelações, autoridades do saber, preconceitos, dogmas, ou quaisquer formas mentais preconcebidas devem ser deixadas de lado no ato de ser, e de estar, um livre pensador. Deve-se ter a curiosidade de sempre questionar, deve-se manter um comportamento com algum grau de ceticismo, e de independência do que imaginamos ser, deve-se não ter medo, vergonha, ou quaisquer restrições a fazermos perguntas, todas devem ser feitas, deve-se ter muito cuidado com as fontes, com os autores, e com a mídia. Como dizia Voltaire, “Julgue um homem pelas suas perguntas e não pelas suas respostas”, ter a ousadia e a coragem de ser liberto para perguntar, para fazer todas as perguntas, mesmo e principalmente aquelas perguntas que batam de frente com nossas crenças, e é claro também buscar de forma racional e crítica encontrar respostas, mesmo que com a necessidade de fazermos novas e novas perguntas. Devo também dar o direito e a liberdade para que qualquer um possa fazer suas perguntas e dar suas respostas, como disse também Voltaire “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”, mas manterei minha posição de tentar argumentar e discutir estas e quaisquer ideias, a luz da lógica mínima, de uma análise crítica, de algum racionalismo e de um sério e profundo compromisso de encontrar a verdade, não de encontrar uma resposta que satisfaça aos dois, não um monstro disforme de resposta que tenta abraçar as duas, ou mais posições. Para encerrar esta composição gostaria apenas de reafirmar uma posição que ser um livre pensador, por melhor que o sejamos, mas se não nos impomos agir, transformar, atuar conforme o que pensamos, toda a energia gasta no livre pensar de nada serve. Pensar e não agir é brincar de ser sábio. A força de todo e qualquer pensamento está na capacidade de transformação, de criação, de reconstrução e de ajuda, que possa ser por toda uma sociedade, ou por parte dela, sentida como humana e social.

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