Não creio em adivinhação, mas tenho a certeza que existem coisas que ainda desconhecemos, mas todas tem de ser naturais.

Gostaria de com todo respeito que me for possível iniciar dizendo que o fato de eu não ter alguma (s) resposta (s), ou muitas respostas, não significa que não existam respostas, e nem que estas devam ser sobrenaturais. Em segundo lugar gostaria também de deixar claro que não acredito em adivinhos e nem em transmissão de pensamentos (com a tecnologia atual, entretanto um dia há de chegar, se não nos destruirmos como espécie antes, em que a leitura detalhada e transmissão à distância de comandos mentais e pensamentos, será algo corriqueiro, mas não ainda hoje, hoje já somos capazes de leituras bem diretas e transmissão de comandos mentais pela internet, isto já é uma verdade hoje da relação cérebro-máquina), acrescentaria que também não creio em sábios na concepção estrita do seu sentido, sendo claro que entendo que algumas pessoas possuem uma sabedoria (conhecimento (saber) aliado a uma prática compromissada com o humano). Desta forma vou tentar expor o que penso, não sobre pessoas que se surpreenderam com qualquer tipo de contato com adivinhos ou clarividentes, pois que sendo algo pessoal, não tenho a menor competência para falar sobre seus sentimentos e emoções, o que entendo, seria no mínimo leviano de minha parte. 


Como comentado, não tenho respostas para tudo, e tenho a certeza que nunca as terei todas, mas quanto a adivinhação em si, seja por linha espírita/espiritual, ou outra qualquer, repito, que a princípio não creio nisto, deixando claro que longe de mim qualquer tentativa de falar que possa estar mentindo quem fala que teve sua vida “adivinhada” por alguém. Neste caso muitas coisas podem ser levantadas, nenhuma afirmada é certo. Começaria falando que cada vez mais nossa individualidade está se tornando pública, aberta e devassável. Dependendo do nível de informação “adivinhada”, a própria internet pode ter ajudado. Outras possibilidades existem. Uma delas pode ter sido o contato com conhecidos que intencional, ou mesmo não intencionalmente, se abrindo para quem eles acreditavam, acabam contando informações pessoais que podem depois ser utilizadas para nos surpreender, por adivinhos. Pode ser que a pessoa que adivinhou, nunca tenha tido contato com nenhum amigo ou conhecido, ou que nunca sequer tenha nos visto, que haja sido um encontro totalmente não planejado, pode ser que as informações passadas sejam de pequena variação, tipo binárias como: gosta ou não gosta, possui ou não possui, é ou não é, ou mesmo “ternárias”, e assim, mesmo que ele erre para alguns, ele acabará surpreendendo outros acertando, pois que apenas vemos o acerto que teve (deixando claro que se estamos surpresos é porque ele ou ela acertou, e nos parece ter sido algo quase místico), e não os erros cometidos com os outros. Outra possibilidade seria que as informações passadas sejam genéricas ou de grande probabilidade, um exemplo, idiota eu sei, mas que serve apenas para mostrar o que eu tento falar, ao me ver gordinho, é bastante provável que: tenha alguma dificuldade para me levantar, tenha algum tipo de dores localizadas, possa ter ansiedade, quem sabe colesterol, problemas circulatórios, descontrole glicêmico, e por aí vai. Outra possibilidade ainda é o da entrevista direcionada, que mais parece uma conversa informal, sem maldade aparente alguma, e assim ir guiando a conversa, e de forma lógica ir montando uma imagem do que falará sobre nós. Entre outras mais, comento uma não menos importante, a observação, que aliada a experiência que teve com outros que se enquadram no que observa de nós, ajuda em muito na adivinhação. Existe ainda a possibilidade de sensibilidade, onde se percebem detalhes que são imperceptíveis a maioria, para muitas vezes sem falsidade alguma expor coisas sobre nós, em especial o que estamos sentindo naquele momento. Devem existir outras formas que sequer imagino, e que podem muitas vezes ser até mesmo sem alguma maldade direta. E por fim, de forma cética, o acerto pode ter ocorrido por mero “chute e acerto”. Desta forma existem muitas formas desde por farsas, ou por sensibilidade, chegar a acertar coisas sobre nós. Eu realmente não sei a relevância e a dificuldade do que foi adivinhado, acredito que em deixando alguém estupefato, tenha de ser algo bem relevante, mas eu não sei exatamente o que ocorreu. Seria maldade de minha parte tentar eu adivinhar, e cabe lembrar que eu não acredito em adivinhação. 

Pessoalmente tive contato com pessoas que se arvoravam em dizer que eram capazes de descobrir ou adivinhar coisas sobre a minha vida, números que eu pensava, é claro que como cético duvidei, e acabei me utilizando de métodos para desmascarar eles, como falsos adivinhos. De cara eu assumia a entrevista fazendo perguntas díspares, e depois de várias destas perguntas questionava algo que tenha feito pela manhã, ou algo como qual é o texto que acabei de escrever, mas ainda não publiquei, ou qual o texto que está remoendo minha cabeça no momento, ninguém acertou até hoje quando fujo de toda a possibilidade de conhecimento prévio, e no tocante a conversa, passo a responder de forma genérica, superficial, e deixando dúbias as minhas respostas. Meu argumento é que se ele é clarividente, porque perguntar, ele tem que ver, ou saber. E se errar uma vez apenas, já não é clarividente, ou no mínimo não seria confiável, pois que como confiar alguma decisão ou comportamento, se ele ou ela errou uma vez, pode estar errando exatamente naquela posição que me seria importante. É claro que eu posso estar errado, e pode existir alguém adivinho ou clarividente, mas sinceramente não creio, e não conheci ninguém que adivinhasse fora da média de acertar no máximo metade. 

Outra linha a seguir, é a de que pode existir algo que desconhecemos, mas que como ateu e cético, tenho de deixar claro, é que o processo de adivinhação ou de clarividência, mesmo que existisse, não precisa ser transcendental, o que não impactaria minha descrença no transcendente. Se existe algo que chamamos de espiritual, e que ainda desconhecemos, este algo tem de ser imanente, e assim não seria problema nenhum para meu ateísmo-materialismo. Um exemplo simplista, existe uma força que chamamos de energia escura que não sabemos ainda o que é, mas com certeza é natural. As ondas de rádio, não as vemos, até pouco tempo atrás ninguém imaginaria elas, e elas são imanentes; eu não sei exatamente como a gravidade atua, mas ela é real, natural e imanente; eu não sei como a consciência emerge de um circuito neural, mas ela emerge, e estamos cada vez mais próximos de entende-la, e não é algo transcendente, assim poderia existir algo que nossos sensores não percebem, que nenhum modelo apresentou ainda, e que poderia permitir algo “espiritual”, mas que por definição seria natural e imanente. 

Amigo, não estou dizendo que todos que se dizem médiuns sejam mentirosos intencionais, é claro que a maioria absoluta deles crê no que estão sentindo, e não seria eu desumano de chamá-los de mentirosos. Eu tenho uma definição simplista de que mediunidade seja apenas e tão somente sensibilidade, a mente destas pessoas pode estar sincronizada para perceber pequenos detalhes, naturais e imanentes, que podem ajudar no que falam. Hoje sabemos que alguns animais, cachorros a maioria das vezes, podem ser treinados para perceber variações de odores que identifiquem portadores de câncer, talvez estes animais não acertem sempre, mas se alguém, sem perceber, sem intenção, tivesse esta capacidade de perceber variação em odores que mostra possíveis portadores de câncer, com certeza seriam vistos, por muitos, em especiais os religiosos, como médiuns, ou como iluminados por deus para “este milagre”.

Desta forma não sei exatamente como alguém adivinhou algo, mas dentro de minha linha de pensar, a resposta existe, e não é transcendental.

Não creio em adivinhação, mas tenho a certeza que existem coisas que ainda desconhecemos, mas todas tem de ser naturais.

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