Trabalhador e capital

Onde há trabalhador assalariado, no capitalismo, há algum nível de exploração. O capitalismo somente sobrevive e enriquece pelo processo natural de exploração da força produtiva, pagando menos do que vale a produção, e deste delta (entre o valor de revenda e o valor da produção) que explora, faz riqueza. É claro que o nível de exploração varia, de tipo de capitalismo para tipo de capitalismo, de momento histórico para momento histórico, de função produtiva para função produtiva, de área de atuação para área de atuação, de país para país, e de empresa para empresa, sendo que mesmo dentro de uma empresa, o nível de exploração é também variado, sendo menor nos quadros gerenciais e executivos, bem como nos de elevada qualificação, e levando em geral uma maior exploração para o quadro funcional menos qualificado, o de nível salarial menor, aquele que mais facilmente pode ser substituído. O capitalismo sempre terá sua parcela de injustiça, por mais que muitos vejam nele algum ideal econômico (ele necessita manter um bolsão de desempregados, pois que é uma das formas de garantir mão de obra barata disponível para uso, ou substituição, além de fazer vistas grossas, quase cega, para os excluídos e miseráveis, pois que não são nada para o mercado consumidor e para os interesses de mercado do capitalismo). Em outras palavras entendo o desemprego como parte integrante e necessária ao capitalismo, que não terá a menor dúvida em fechar uma vaga, ou trocar sua unidade de área, ou mesmo de país, sempre que o resultado final lhe propiciar maiores retornos. Se um empresário abre um posto de trabalho, não é por nenhuma visão social, e sim porque lhe permitirá maiores ganhos, e ele porá fim a este mesmo posto de trabalho, ou substituirá o trabalhador por uma máquina, tão logo isto lhe propicie maiores lucros, sem a menor dor de consciência.

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