Viver em desesperança ajuda a minimizar toda e qualquer infelicidade

Um mar de rochas e espinhos, pedras soltas que se revolvem desestabilizadas, instáveis, mas por onde somos obrigados a navegar por. Este é o nosso viver, ou pelo menos como ele se nos parece apresentar como a realidade do nosso viver, não para todos, o que pode ser também mais uma das nossas múltiplas ilusões, pois que não estamos no ser de mais ninguém. Viver é um exercício sempre em primeira pessoa. Agora, excetuando-se os extremos, por um lado de um grande número de excluídos, de esquecidos e de abandonados pelo estado e pela sociedade, e por outro, número menor, entretanto existente, de abastados, de poderosos, e de em geral usurpadores naturais, a maioria de nós vive em pontos intermediários entre o extremo da selva árida, abandonada, perigosa, sofrida, instável e desumana de um lado, e a vida quase sempre alienada do sofrer de muitos, sentada em cima de seus próprios interesses, arrogância e vaidades, dos ricos, do outro. 


Ser plenamente feliz, entendo impossível ser, pelo menos enquanto tivermos um mínimo de humanidade, mas também entendo que excetuando-se o lado da miséria, também não chegamos a ser plenamente infelizes, flutuamos assim, entre momentos alegres e tristes, entre momentos sofridos e de alguma paz e tranquilidade, entretanto, mais do que isto, entendo que podemos, mesmo não sendo plenamente felizes, pois que entendo ser impossível, ir ficando cada vez mais distante da infelicidade, com uma natural postura de desapego e desesperança. Podemos, apesar dos momentos tristes e sofridos pelos quais todos passamos e passaremos, não nos entregar ao desespero e a infelicidade. Sempre viveremos alguns momentos de alguma dor, física ou mental, por eventos nossos, ou por eventos externos, de ou com terceiros, impossível não sofrer vendo uma criança sofrendo. Nossa humanidade, mesmo que incipiente e falha, salvo para os alienados e sem sensibilidade humana, nos levará, com certeza a algum estado de tristeza e de alguma dor, todavia, se conseguirmos um estado mental de desesperança (daquele que nada espera, e que abriu mão de toda e de qualquer esperança), daquele que se assumindo corresponsável se compromete em buscar transformações, em tentar fazer algo que elimine, ou que temporariamente diminua o sofrimento, conseguiremos não nos entregar ao desespero e a infelicidade, apesar de um estado mental de tristeza e de dor. Como seres humanos normais também realizaremos momentos de alguma alegria e de alguma felicidade, e assim, na média, no geral, estaremos intercalando bons e maus momentos, alegrias e tristezas, desde que pouco esperemos, que sejamos humildes com o que temos, que não nos entreguemos a fraqueza de sempre desejarmos mais, desta forma cada ganho, por menor que seja ou que pareça, nos trará uma bela e prazerosa sensação de felicidade.

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