Absurdos e atrocidades

“Quem consegue lhe fazer acreditar em absurdos, consegue lhe fazer cometer atrocidades” Voltaire 1694-1778.

Acabei de ler isto, postado por Marco Lourenze, no G+. Não havia ainda chegado ao autor da frase, mas senti a força e a beleza da mensagem. Voltaire é um dos que aprendi a gostar de ler, apesar de discordar dele em alguns pontos, sendo a principal discordância, sua linha deísta. Voltaire é um dos bravos corajosos que nos idos de 1694 a 1778 teve a sensibilidade de perceber que o teísmo levava, pelo domínio religioso, a absurdos. Ensaísta e polemista foi um crítico da igreja católica e das instituições francesas no seu tempo. Oponente as intolerâncias religiosas e as intolerâncias de opinião, foi preso duas vezes, e teve de viver exilado. Apesar de acreditar em um deus, ele não conseguia perceber a existência de um deus teísta, e muito menos aceitar a postura católica acerca deste deus, e a tudo que esta postura levava. Esta frase, o que tem de simples, possui de verdadeira, e deveríamos refletir nela sem medo e preconceitos.


“Quem consegue lhe fazer acreditar em absurdos”, lhe fazendo crer (por bem ou por terror) que estes absurdos são corretos, são justos, que eles são verdadeiros, que são do bem, e que dignificam o homem, consegue também com a mesma facilidade, fazendo crer aos que lhes aceitam, que estarão fazendo o bem, que estarão fazendo justiça e dignificando o viver, induzindo mentes não livres a agirem desumanamente, e assim aquele que conseguiu lhe fazer crer em absurdos também “consegue lhe fazer cometer atrocidades”, e o que é pior, achando que estão fazendo o bem e o correto, e que o seu deus as ama mais por isto.

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