Medo e liberdade

O cidadão médio, não somente de hoje, entretanto já a algum tempo, quer na rua ou mesmo no recanto de seu lar, quer homem do povo simples e trabalhador ou mesmo um “burguês”, quer invisível ao todo, quer fazedor de opiniões, vive consternado em medos e dúvidas. Em alguns momentos vive bem próximo do pavor e do temor. Assustado, encurralado, acaba cedendo e aceitando repressões políticas ou sociais, que lhes restrinjam a liberdade, pois que ilusoriamente acabam seduzidos pela falácia que interessa ao sistema de que estão a fazer uma troca boa, a de ceder sua liberdade por um estado seguro, mas quando derem por si perceberão de foram induzidos maquiavelicamente, pois que a liberdade deve ser um dos bens que devem ser conquistados e nunca trocados por uma falsa, ilusória e mentirosa proteção que não existe, pois que toda repressão não será suficiente para superar um problema que é social e político. A segurança social e pública é uma das relações multilaterais que envolve muitas e muitas causas, e a liberdade respeitosa, a liberdade com responsabilidades, nunca será uma das causas do atual estado de insegurança, por mais que o estado possa lhe falaciosamente induzir e prometer resolver, com esta troca. 

Desviados de nosso equilíbrio pelo medo acabamos assim abrindo mão de um bem valiosíssimo que é nossa liberdade consciente, nosso direito a expressar nossas opiniões, nossa liberdade de ir e vir, nossa capacidade de discordar, ou de fazer aquilo que desejarmos desde que dentro de um compromisso sincero com a dignidade humana, mesmo que o façamos sob o estrito e contingente cuidado de não invadir o direito do próximo. Entregar nossa liberdade, nossa luta libertária, em troca de uma segurança que apenas é fictícia, pois o mesmo sistema que reprime e nos limita, é o sistema que desajusta a condição de dignidade humana da sociedade, através da exclusão de muitos, do preconceito, da ganância, da corrupção, ou da ditadura das maiorias. Ser maioria não significa ser dono da verdade ou detentor do certo ou do humano, ser maioria muitas vezes significa apenas ser massa de manobra, de conivência ou de omissão. Ser maioria significa muitas vezes apenas estar tomado pelo medo de ser diferente, pelo temor de ousar discordar, ou significa simplesmente fraqueza, descaso e interesses pessoais.

O direito à liberdade deveria ser encarado como básico, como um belo e importante valor humano, mas infelizmente quando nossa segurança está em jogo, muitos de nós ficamos abertos a dispensá-la. É nestes momentos de medo que o próprio sistema nos impõe muitas vezes por interesses econômicos e políticos, desumanos, e acabamos por nos esquecer de atacar as verdadeiras causas originais, que são em última análise o próprio sistema político e econômico, a democracia dos poderosos e ricos, dos investidores, dos donos do capital, sistema este que ajudamos conscientemente ou inconscientemente a manter, e buscamos desta forma atacar os efeitos indesejáveis deste mesmo sistema ingrato e desumano em essência, que coniventemente ajudamos a sustentar. A insegurança não é uma causa, mas sim um efeito, nocivo, cruel e indigno, da injustiça humana que realizamos. É claro que sempre existirão desequilibrados mentais, psicopatas contra a vida, que por nada, ou quase nada, se farão mensageiros de dor e desespero, fazendo pouco caso da vida humana, mas de longe, este não é o principal ponto de partida da insegurança.



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Sou um ateu racional e um livre pensador, ou melhor, eu sou um ateu que tenta ser (que se compromete a ser) racional e livre pensador.

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