Preocupação pelos semelhantes, neurônios espelho e autoconsciência de nós mesmos

Será que a preocupação com os outros necessita, ou tem início com a consciência que temos de nós mesmos? 
Eu não tenho uma resposta exata, mas posso deixar aqui um pouco do que penso. Iniciarei falando que todo cérebro, pelo menos dos grandes primatas, possui neurônios espelhos, que ganharam este nome simplesmente porque são ativados sempre que presenciamos (visualizamos) estados ou movimentos em corpos outros, exatamente como se nós mesmos os tivéssemos sentindo ou movimentando. Isto é muito bom, pois que talvez seja por isso que temos a grande facilidade de aprender novos movimentos, apenas observando como os outros os fazem, pois que nossos neurônios espelhos seguem toda a sequência do movimento efetuado, como se fossemos nós mesmos quem o tivéssemos executando. Isto é apenas parte de onde desejo chegar. Em segundo lugar, gostaria de dar minha posição de que entendo ser necessário alguma autoconsciência de nós mesmos, do que somos, do que acreditamos, do que respeitamos, do que aceitamos, do que achamos humano e desumano. Pois que com esta consciência passamos a ter alguma percepção do que aceitaríamos conosco e do que rejeitaríamos em nós. E por fim tentarei entrelaçar estas posições de modo a que quando olhamos uma pessoa, triste, sofrendo, abandonada, oprimida, ofendida, explorada e outros mil estados, os neurônios espelhos logo se põem a refletir aquele sentimento em nós mesmos como se nós mesmos o estivéssemos sentindo, mas isso não implica em sensibilidade alguma (direta) especial ou mesmo em preocupação maior para com os outros, a menos que tenhamos alguma boa percepção autoconsciente de que tudo aquilo seja desumano, e que não gostaríamos de que estivesse ocorrendo conosco. Desta forma o laço está pronto para o aperto final que é o de conseguir emergir (aparecer) a preocupação e a sensibilidade de que aquele outro irmão está sofrendo e que não devemos lhe virar a cara, pois passamos a sentir claramente aquele sofrimento como parte de nós mesmos. Já está bastante bem comprovado que falhas nos impulsos elétricos nestes neurônios espelho, simplesmente diminuem o põe a perder qualquer possibilidade de maior empatia e sensibilidade para com os irmãos, mesmo que tenhamos uma boa autoconsciência do que nos ofende e nos maltrata, pois que passamos a ser egoístas, uma vez que (pela falha de funcionalidade dos neurônios espelho) passamos a não ver esta situação como dolorosa para os outros, e apenas para nós mesmos.

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