Progresso

Encontro algumas pessoas que criticam o progresso, como se o caminhar da ciência, da tecnologia, do conforto e do bem-estar, que diretamente provêm do progresso fossem problemáticos para a humanidade. Bastam, entretanto, algumas perguntas diretas e logo percebo que falam da boca para fora, como se fosse moda falar mal do progresso, falam sem maiores pretensões, ou falam como ingênuos que não percebem o quanto o progresso permitiu a eles melhor bem-estar geral.

Após as perguntas, os críticos ficam meio sem graça e tentam argumentar que eu somente falei do lado bom do progresso. Falo do progresso científico e tecnológico, falo do progresso enquanto algo que transforma e revoluciona o nosso viver, não falo da desgraça humana, da prepotência que nos move, não falo dos interesses pessoais, dos preconceitos e nem das segregações que criamos, isto não é progresso, isto sempre existiu na índole humana, seja em passado recente ou mesmo em passado remoto, a diferença é que o “mundo” se expandiu, muito mais pessoas sobrevivem ao mesmo tempo, e a complexidade da sociedade aumentou, isto não é progresso, pois na mente e nos corações humanos sempre faltou verdadeira humanidade.


Basta perguntar:
Seus filhos são vacinados? Caso seus filhos peguem uma infecção você dará a eles antibiótico? Caso seus filhos sofram de crises alérgicas fortes, vocês darão a eles antialérgicos? Em caso de febres altas, vocês darão a eles antitérmicos, e em caso de dores fortes vocês darão a eles analgésicos?
Em caso de problemas musculares, de coluna ou mesmo de coração, possibilidade de câncer, entre outros, em seus filhos, vocês fariam tomografia computadorizada, ressonância magnética, ultrassom, ou mesmo qualquer exame radiológico ou de imagem neles? Vocês permitiriam intervenções cirúrgicas de último nível, até mesmo controladas por computadores ou robótica? 
Se eles necessitassem, como última alternativa, de um transplante, de qualquer órgão, para salvá-los, vocês autorizariam o transplante? Para garantir uma sobrevida aos seus filhos vocês o levariam a CTIs de última geração? Vocês permitiriam maquinas de suporte a vida?
Se seus filhos tivessem câncer, vocês autorizariam quimioterapia ou radioterapia, ou mesmo uma intervenção cirúrgica para remover o tumor? E se um tratamento por células tronco pudesse salvar a vida de seus filhos, vocês autorizariam?
Em casos de miopia forte, vocês autorizariam uso de lentes, intervenções cirúrgicas, ou mesmo óculos especiais? E em caso de catarata vocês permitiriam intervenção cirúrgica em seus filhos e implante de novo cristalino?
Em caso de queimaduras, vocês autorizariam que seus filhos recebessem pele artificial?
Vocês autorizariam hemodiálise em seus filhos se os rins deles parassem? 
Você injetaria em seu filho albumina humana, se ele necessitasse? Você injetaria insulina em seu filho se este fosse diabético? E transfusão de sangue, de hemácias ou de plaquetas?
Estas perguntas foram localizadas, apenas na área de saúde. 

Salvo alguns raros itens mais polêmicos, a maioria absoluta daqueles que criticam o progresso, para salvarem seus filhos, se utilizariam de progressos científico-tecnológicos.

Mas o progresso é muito mais do que isto, mesmo na área médica o progresso trabalha em novos tratamentos, novas medicações, novos equipamentos, corações artificiais, chips no cérebro para acabar com mal de Parkinson, medicações na área neurológica, e mesmo chips levando pessoas a encontrarem alegria de viver, atuando em áreas localizadas do cérebro. Células tronco começam a dar os primeiros passos em tratamentos experimentais. Pesquisas avançadas se dão em utilização de exoesqueleto que virá a permitir a tetraplégicos caminhar e manusear coisas. 

Realmente o progresso é uma droga. “Era melhor que nossos filhos sofressem mais ou morressem mais cedo!!!!!!!” Brincadeira ridícula criticar o progresso.

E fora da área médica:
Você se utiliza de elevadores, carros, aviões, ar refrigerado, aquecimento central, você gosta de ouvir um bom som, assistir um bom filme em aparelhos bluray, assistir um bom programa em TVs de alta definição, você se utiliza de geladeiras, se utiliza de energia elétrica, iluminação pública, recolhimento de lixo, uso de telefones e entre estes telefones móveis, se utiliza da internet, computadores e etc., etc. e etc.

Criticar o progresso é fácil, abrir mão dele, de verdade, é que é difícil.
O progresso aumentou a expectativa de vida e deu melhor bem-estar a muitos. Eu sei que os excluídos estão fora destes ganhos, mas a culpa não é do progresso em si, a culpa é de nossa desumanidade, de nossa insensibilidade, de nosso egoísmo e por aí vai. Sempre existiram os excluídos e os abastados, cabe a nós, e não ao progresso, resolvermos se somos realmente humanos ou se somos apenas um arremedo arrogante e prepotente de falaciosos humanos. 

É verdade que o progresso traz consigo também inovações bélicas e de destruição em massa, mas o homem sempre tentou destruir, somente agora destrói mais rápido e mais fácil. Novamente é o homem o fiel da balança e não o progresso em si. 

O problema não é assim, o progresso em si, podendo ser em alguns casos o mau uso dele, entretanto o problema continua em nosso comportamento, sendo a ganância econômica e política que enriquecem alguns um dos piores males. O problema não é o progresso científico-tecnológico, mas sim o baixo nível de desenvolvimento humano, o problema está com o ser humano e a própria humanidade que não progrediu.

Nossa mente, nossos seres, nosso psicológico ainda é antigo. Uma evolução biológica ou comportamental é muito lenta, e enquanto o progresso caminha a passos exponencialmente cada vez maiores, nossa estrutura animal e mental, que dá suporte a nossa humanidade caminha pela evolução a passos quase imperceptíveis. Precisamos de uma revolução humana, e não do fim do progresso. Somos homens de anteontem vivendo em um mundo que cada vez mais é de depois de amanhã, e nosso mental fica perdido. O problema não está no progresso, e sim em nossa índole, em nossa desumanidade, em nossa vaidade, em nossa prepotência, em nosso egoísmo, em nossa insensibilidade, em nossa frieza e em nossa ganância, que muitas vezes deixa o social e o humano para traz, em favor de uns poucos, dos nossos, em detrimento de muitos, dos outros.

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