Vida e morte, é coerente que eu prefira a vida

Entre a vida e a morte, é lógico e coerente que eu queira a vida. Vida e morte, uma dualidade inseparável. Não há vida sem morte, e não há possibilidade de morte sem vida. Inseparáveis parceiras, mas que nunca se conhecerão por completo, pois que enquanto vivos, ninguém conhece plenamente a morte, podemos conhecer a quase morte, podemos conhecer o chegar da morte, mas a morte plena e total, ninguém conhece, conheceu ou conhecerá, pois que quando mortos não mais existiremos para conhece-la por completo, e em contrapartida nenhum morto conhece a vida, pois que não mais existe para conhecer algo. 


Viver e morrer, um contínuo de uma única realização. Vivo uma única vez, e morro uma única vez. Por isso para cada ser, não se trata de um ciclo, e sim um contínuo temporal, limitado e datado, que chega do nada que já foi um dia, dando origem a um ser vivo temporal e fatal, e tendo seu fim em uma morte que o leva de volta para o mesmo nada que foi antes. Depois da morte eu vou para algum lugar? Sim. Vou para o mesmo lugar de onde eu vim. Volto para o nada onde nada mais sou, e onde nada mais ninguém é. Não sou mais corajoso do que ninguém, a morte me incomoda um pouco, mas se ela é inevitável, porque sofrer por ela? Exatamente pela morte é que valorizamos a vida, nossa única vida, nossa única chance de realizar o viver, sem segunda chamada, sem direito a repetição, sem continuação, sem depois.

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