A inquisição, última tentativa em manter o senso comum como sendo o de interesse da igreja

Como apresentado de forma resumida em meus últimos cinco textos (ao final) publicados, o conhecimento científico, veio em um crescente, e cada vez mais se distanciava da forma como a igreja catequizava o pensamento pelo modelo aristotélico de pensar e observar, mas entendo, e muitos comigo, que foi a publicação, por Galileu, do seu livro “Discursos e demonstrações matemáticas acerca de duas novas ciências” onde a cultura humana e a visão científica consideradas “modernas” foram alçadas a um novo patamar, como o limiar de um novo mundo. Apenas para recordar, esta forma quantitativa de ver o conhecimento natural teve início antes mesmo de Aristóteles, entretanto foi, como já vimos, calada, adormecida e sufocada por interesses outros. Entretanto, foi Newton, o brilhante, arredio e pouco sociável pensador, quem galgou os degraus que faltavam nesta transformação para uma “nova” maneira de pensar. Depois de Newton, a ciência, o conhecimento natural e o saber, abandonaram de vez a forma aristotélica de pensar e de perceber o mundo natural, orientada para um propósito, e passa a adotar um modelo pitagórico, regido por números, fórmulas, modelos matemáticos, testes, refutação e evidências, e com foco no real. Hoje Newton pode ser considerado o pioneiro na revolução da forma de pensar, um revolucionário da forma de perceber, e apreender o que de real e natural existe em nosso universo. Cabe apenas dizer que Newton não desejava conhecer a natureza, e o mundo, com interesses em modificá-lo ou de melhorá-lo em benefício da humanidade, ele era apenas movido por pura paixão desinteressada pela compreensão deste mesmo mundo. 


Quero apenas terminar dizendo que a igreja sabia muito bem o alcance e o que estava fazendo com a inquisição, que ela não pode ser minimizada ou defendida por que talvez fosse representação de uma sociedade e de um tempo, ela é, no mundo ocidental, a causa daquele tipo de sociedade, ela impôs conforme seus interesses a estrutura intelectual daquele momento histórico, dando continuidade a forma romana de entender o mundo, e agravada com o interesse em defender seus dogmas e conceitos religiosos, pelo maior tempo possível. Assim a inquisição foi, para mim, uma palhaçada irresponsável que levou sofrimento e morte a muitos, uma desumanidade, um absurdo, e em especial, a morte de Bruno na fogueira, e a fraqueza de Galileu em ceder para se livrar do sofrimento e da desumanidade como era tratado, algo que bem representa a desumanidade desta inquisição, pois que levou ao extremo estes dois “julgamentos” (que de julgamentos muitos(ou todos) nada tiveram), apenas para manutenção de poder sobre o saber (propriedade deste saber), e nestes casos, por um motivo que ela mesma, a igreja, já não mais acreditava. O geocentrismo já era visto como um erro, mesmo no seio da igreja, mas que na defesa de seu poder, de suas crenças infundadas, pelo bem de manter pelo máximo de tempo estas crenças como verdade, valiam o sacrifício de submeter uns poucos a morte ou ao sofrimento. Meus últimos cinco textos, abaixo, mostram porque a igreja (enquanto instituição) é, e deve ser fortemente culpabilizada pela inquisição, e bastam para mim, como exemplo de onde pode chegar o interesse religioso pelo domínio do poder, e se hoje ela parece um pouco mais sociável, sinceramente creio que o é pois que perdeu muito de sua força, se ela, ou qualquer grupo religioso ascende ao poder político no Brasil, tudo fará para impor suas posições como se verdade fossem, exatamente como fazem países teocêntricos, e como se comportam, na prática, as alas religiosas, fundamentalistas, quando chegam ao congresso, ou mesmo pelos estados e municípios, por isso é vital reconstruir o senso de um estado laico, não porque seja eu ateu, mas por manter independência total entre o estado e cada uma das religiões, defendendo assim, no fundo, a todas elas. 
Essa série de textos, teve um motivo que foi esclarecer o porquê a inquisição tanto me revolta e o porquê no fundo não aceito desculpas para o comportamento desumano desta mesma igreja. Não pretendeu ser completo, mas abranger um número de assuntos que passam despercebidos por quem estuda a história que nos é apresentada. Sem desejar a competência e o conhecimento de verdadeiros pesquisadores e historiadores, que respeito sobremaneira, gostaria de comentar que no geral a história que aprendemos, no nível comum do dia a dia é a história dos vencedores, é a história que interessa ao sistema, e não a verdadeira história, aquela cavada, desbravada, e séria e minuciosamente pesquisada por historiadores que acabam passando despercebidos, exatamente porque o sistema não deseja que algumas verdades sejam divulgadas. Assim me curvando a cada historiador, que tenho a certeza sabem cinquenta mil vezes mais do que eu, ousei comentar o pouco que entendo, em minhas pesquisas sobre estes assuntos, a desgraça da inquisição, e a dormência latente de mais de mil anos de uma forma científica de pensar.


Entender a natureza e as armadilhas do senso comum http://www.ateuracional.com.br/2015/09/entender-natureza-e-as-armadilhas-do.html

A ciência e seus quase 2000 anos perdidos em trevas http://www.ateuracional.com.br/2015/09/a-ciencia-e-seus-quase-2000-anos.html

Gráficos, uma esquecida criação e seu uso no reinício quantitativo de nossa ciência http://www.ateuracional.com.br/2015/09/graficos-uma-esquecida-criacao-e-seu.html

Universidades como motor da revolução científica http://www.ateuracional.com.br/2015/09/universidades-como-motor-da-revolucao.html

Aos que defendem que a inquisição não teria sido uma atrocidade desumana http://www.ateuracional.com.br/2015/09/aos-que-defendem-que-inquisicao-nao.html

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