Somos hoje mudanças mentais ocorridas a mais de 100 mil anos e inovações conseguidas no período neolítico

Hoje, gostamos muito de nos ver como seres avançados, inteligentes, especiais e no caminho de uma perfeição mental e biológicas, coisas no mínimo duvidosas. O que cabe comentar é que isto só foi possível, graças as mudanças que ocorreram em nossa estrutura mental, a partir de cerca de cem a duzentos mil anos atrás, quando denominamos o início do homem moderno. Devido a algumas evoluções acumuladas que ganharam nova expressão mental nesta época. Desta época até o período neolítico, cerca de oito a dez mil anos atrás, fomos em um crescente natural, mas tudo o que podemos ser hoje, ganha projeção e arranque, no período neolítico (pedra nova - época da pedra polida), com as profundas inovações ocorridas nas aldeias e posteriores primeiras cidades. O conhecimento, a percepção abstrata e as tecnologias mentais desenvolvidas por aquelas civilizações foram primordiais e marcantes na formação de nossas ideias sobre o mundo e sobre o universo, para o bem e para o mal, e na nossa capacidade, misto de curiosidade e necessidade, de explorar estas ideias e novas que se iam abrindo a cada novo entendimento do que existia e do que era possível.


Desviando um pouco do assunto, aproveito apenas para caracterizar um pouquinho melhor a diferença entre o que eram as primeiras aldeias, que deram início as primeiras tribos e as primeiras cidades. 

As primeiras aldeias foram o início de nossa transformação de nômades em sedentários. De alguma forma está aliada ao maior domínio na produção e obtenção de alimentos, mas não necessariamente logo de início, que era um aprendizado. 
“Em geral, a maioria dos integrantes da aldeia possuía um grau de parentesco entre si, tendo em vista que algumas poucas famílias extensas formavam o conjunto da comunidade. Também conhecidas como clãs, essas famílias se juntavam a outras para a formação de uma sociedade tribal. Nesse estágio, ainda não poderíamos citar a presença de um poder político superior, pois as principais decisões eram deixadas a cargo do membro mais velho de cada família... As atividades exercidas eram inicialmente realizadas por todos, não havendo outras distinções que organizassem o papel de cada indivíduo na comunidade. Em determinados casos, essa divisão recaía somente sobre as incumbências permitidas aos homens e às mulheres... O tipo de trabalho desempenhado ainda não havia se tornado um elemento de distinção social”.

As primeiras cidades já mostravam divisão de trabalho bem mais distinta, e um poder político centralizado. As primeiras cidades derivam naturalmente das primeiras aldeias e tribos, por seu crescimento populacional, devido agora a um excedente de alimentação. Assim a necessidade de manter ordem leva a um poder centralizado, que inicialmente era de escolha dos líderes dos clãs iniciais. 

Breve resumo, que não tem por intenção esgotar o assunto, servindo apenas de posicionamento.
Período Paleolítico: vivíamos em cavernas e já enterrávamos os dos mortos, se não para todos os grupos nômades, mas já se encontram exemplos claros desta prática; 
Período Mesolítico: tem início a domesticação de animais e os primeiros passos na agricultura. Foi primordial para fixação do homem como sedentário. Fortes possibilidades de separação de trabalho entre homem e mulher.
Período Neolítico: Fixação de vida sedentária nas aldeias, primeira condição para o surgimento de vida nas cidades. 

Diferenças básicas entre aldeia e cidade: 
- Aldeia: aglomerado humano com atividades primárias (agricultura e pecuária). Fazer agricultura e pecuária, implica na necessidade de muito mais mão de obra e esforço de trabalho do que a caça e a coleta, e isto leva indiretamente a maior necessidade de contingente humano, que no início não se refletiu diretamente em um aumento e excedente de alimentos, pelo contrário, tem-se exemplos de fosseis que mostram ossos mais frágeis e dentes menos robustos que tendem claramente a nos levar a crer que os primeiros agricultores sofreram de privação alimentar, até que houvesse um domínio mais aprimorado da agricultura e da pecuária.

- Cidade: aglomerado urbano com organização social.
As cidades surgiram não pelo lado “econômico”, mas sim pelo lado político. A cidade passa a ser um lugar de produção e dominação.

Para encerar vou incluir parte de uma definição de SINGER:
[...] a cidade é o modo de organização espacial que permite à classe dominante maximizar a transformação do excedente alimentar, não diretamente consumido por ele, em poder militar e este em dominação política” (SINGER apud SPOSITO, 2005).

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