Desenvolvimento científico

“As teorias acabadas da ciência podem parecer quase evidentes depois de formuladas, mas a batalha para criá-las em geral só é vencida com muita perseverança. Leonard Mlodinow”

Peguei este trecho de Leonard Mlodinow como pano de fundo para comentar sobre o termo “desenvolvimento científico”.

O conceito de desenvolvimento científico acaba por ser um tanto quanto enganador, no sentido que parece dar a este desenvolvimento um caráter contínuo, linear, sequencial, e tranquilo, quando no fundo não é assim que acontece. Para cada teoria plenamente desenvolvida, aceita e comprovada, uma infinidade de outras se perderam pois não chegaram a lugar algum, ou acabaram não sendo corroboradas por evidências que as sustentassem. O desenvolvimento não acontece, no mundo real, assim de forma tranquila, natural e ordenada, funciona meio que aos saltos, aos esbarrões, ao retornar ao início, pois que chegaram ao fim de alguma trilha sem saída, ou se perderam pelas encruzilhadas do pesquisar, do pensar, do modelar, do experimentar, e do apreender. Se eu fosse escolher uma imagem para representar este desenvolvimento, eu escolheria algo como uma corrida de revezamento com obstáculos, agravada que é feita por vários diferentes corredores que recebem todos eles os mesmos bastões de revezamento, mas que iniciam suas corridas de obstáculos sem nenhum mapa, rota, ou trajeto a seguir, assim, todos eles, e cada um por si, a menos das equipes e das trocas regulares de conhecimentos, escolhem rotas, sem GPS para seguir. Muitos deles avançam por obstáculos e não chegam a lugar algum, ou chegam a lugar que não faz sentido físico, lógico ou coerente, ou mesmo que não se coaduna com as evidências encontradas. 


Com o tempo muitos destes cientistas-corredores, mesmo não tendo chegado a lugar definitivo algum, têm que passar seus bastões pelo avançado da idade, e assim novos corredores iniciam suas jornadas, mas agora sem sequer ter uma certeza de que o caminho até agora trilhado seja um bom caminho, e se pode levar a algum terreno mais estável e fácil de se encontrar. 

Cada vez mais a pesquisa cientifica assume assim, pela sua complexidade e aprofundamento, uma necessidade de maior especificidade do corredor-cientista. Isto é bom, pois foca a pesquisa, mas isto pode levar a perda de tempo, pois que em outra área, pode já ter sido percebida alguma nova luz para o estudo em curso aqui. Dou um exemplo fantástico, de áreas praticamente nada afins, mas que foi marcante neste assunto. A lei da conservação da matéria, nasceu na bioquímica, e não na física, mas logo percebida como algo universal. Entendo que hoje, esta “sacada”, seria um pouco mais complicada pois as áreas se especializaram tanto que uma praticamente não fala com a outra. É claro que sendo ela uma verdade, a “lei” seria redescoberta de novo pelos físicos, mas com perda de energia e tempo. Assim, entendo que cada vez mais, a computação precisa ganhar uma capacidade de organizar e agrupar conhecimentos e conceitos afins, facilitando e dando maior fluência ao atribulado desenvolvimento científico. O IBM já possui uma solução chamada Watson, que entendo possa ser um ponto de partida, tipo uma “quinta via” nesta extração de conceitos afins para que o cientista, teórico ou experimental, possa ganhar maior velocidade de pesquisa.

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