O elo que me une

O elo que me une a mim mesmo, sou eu, seja em toda a minha miséria de ser, seja em toda a minha louca existência, seja em toda a minha realização de ser, onde a dúvida dos que sou me acompanha e me constrói, e em simetria ambígua e bivalente, é ela a imprecisão desbotada dos seres que me fazem ser quem sou e ao mesmo tempo me aniquilam, sendo eu assim força e medo, coragem e temor, bondade e mazelas. Continuo sendo animal na busca de minha humanidade, que bom que ainda animal, pois que outra coisa não poderia ser, somente a loucura, a ingenuidade, ou algum fanatismo, poderiam me levar a me ver não como animal, mas como algo especial. Especial? Jamais... Especial? Nunca... Especial? Só mesmo na vaidade presunçosa de alguns. Sou uma espécie entre outras, mas posso procurar ser sempre algo mais humano, aliás, talvez devesse ser esta humanidade que deveria me diferenciar como espécie, mas ainda estou longe dela... 


O elo que me une a mim mesmo, só pode ser eu mesmo, minha mente, meus processos mentais, conscientes e inconscientes, e buscar este elo pode ser uma jornada ingrata, quem sabe impossível, mas buscar me entender um pouco, cada vez mais, pode e deve ser uma de minhas metas, sem abrir mão de em paralelo, construir uma empatia real, não daquela que me coloca no lugar do outro pensando como eu mesmo, pensando o que faria eu lá, o que sentiria eu lá, mas sim daquela humana empatia, em que devo tentar me colocar no lugar do outro para tentar sentir o que o outro sente, para dividir com ele seus sentimentos, para mostrar que eu estou ali, que se não tenho solução ou salvação, pelo menos tenho boa vontade e compromisso de estar com ele sendo um pouco ele, que eu tento não criticar, mas entender, menos com os meus olhos, e mais com os olhos do outro, sabendo que sempre estarei contaminado comigo mesmo, que jamais poderei abrir mão totalmente de mim, mas tendo o devido cuidado de tentar minimizar esta contaminação de mim sobre o que o outro possa estar sentindo.

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