Tendência a crer que conhecemos todas as causas

Temos uma tendência natural a acreditar que conhecemos causas ou intencionalidades de todos os fatos, eventos ou acontecimentos, pois que somos induzidos por uma percepção superficial, e muitas vezes distorcida ou mesmo irreal, baseado na necessidade que nosso cérebro tem de “conhecer”, ou acreditar que conhece, as causas e as intencionalidades envolvidas para todos os fatos, onde na verdade simplesmente não conhecemos tais causas ou intencionalidades. Nossa mente não se “sente bem”, sentindo-se incomodada quando se vê perdida frente a um evento que desconhece a causa ou sua intencionalidade, e assim, como defesa, tende a associar eventos que ocorreram antes como sendo causas possíveis para o que aconteceu depois, ou então, cria mentalmente estórias, que passam a parecer reais, factíveis e coerentes, para justificar aqueles fatos, eventos ou acontecimentos, que desconhecemos as causas básicas ou intenções envolvidas. Esta característica, muitas vezes, nos leva a interpretações errôneas, o que deve servir de alerta para que nos policiemos, evitando sermos enganados por nós mesmos. Muitas vezes, devemos aceitar que realmente nos é impossível, pelo menos naquele instante, conhecer as causas ou as intenções. Coisas acontecem o tempo todo, eventos distantes podem afetar eventos locais, e outras vezes, simplesmente não houve intencionalidade alguma. Um exemplo triste desta não intencionalidade, pode ser o de uma bala perdida que atinge alguém, é claro que houve uma causa, alguém deu o tiro, mas muitas e muitas vezes não havia intencionalidade alguma em que aquele tiro atingisse quem foi ferido. Por favor, não quero com isto dizer que o culpado não deve ser processado, sim, mas apenas retirar de nosso conceito rápido, aquilo de que acreditamos que todos os fatos decorrem de uma intencionalidade, ou mesmo que fomos nós quem “procuramos” aquilo. Muitas vezes, o que é pior ainda, caímos na tentação de dar intencionalidade a coisas inanimadas, como se aquele objeto estivesse tendo algo como que uma vontade própria.


Devemos ter cuidado especial quando as causas aparentes ou as intenções que percebemos apontam para pessoas, simplesmente para que não culpemos inocentes, ou maculemos a sua imagem, apenas porque possa nos parecer, em uma primeira impressão, que sabemos o porquê de suas intenções, ou porque acreditamos ter certeza absoluta de ser ele ou ela, a causa ou o causador do que percebemos. É um ledo engano nosso acreditar, de bate pronto, nas causas que percebemos, nosso cérebro possui uma coleção substancial de “bugs”, exatamente porque não houve projeto algum, e assim nossa mente pode estar nos enganando abertamente, porque nos faz crer que somos senhores de nossos sentidos, de nossos instintos e de nossa consciência. Percebemos muito pouco da realidade que nos cerca, e assim agimos muito mais no instinto, no subconsciente, do que na consciência. 

Como muitas outras coisas, cremos como verdade o que na verdade apenas cremos. Confundimos abertamente crer com saber, e desejar com verdade, na maioria absoluta focamos nossa percepção apenas nos fenômenos e nos esquecemos que estes por si só nos enganam muito, pois não nos apercebemos dos mecanismos por detrás destes fenômenos.


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