Classificação biológica

Orientamos a classificação dos organismos em espécies. Mas o que seria, em uma leitura rápida, espécies? Consideramos como uma espécie aqueles animais que tendem a se acasalarem uns com outros. Mas seria somente isto? Não! Como descendentes deste acasalamento, devem naturalmente nascer crias férteis, que possam acasalar e, de novo, deixar descendentes férteis. É normal, que alguns descendentes possam nascer inférteis, mas o que importa é que na maioria absoluta, animais são considerados de uma mesma espécie, quando se sentem naturalmente atraídos para o sexo entre si, e quando são capazes de deixar crias férteis para continuarem a se reproduzir. O fato de deixarem descendentes férteis é de vital importância, pois que podemos ter espécies que se separaram a “pouco tempo” biológico, que tiveram no passado, não muito distante, progenitores comuns, que hoje já não são mais mesma espécie, pois que mesmo acasalando, não deixam descendentes férteis. Um caso bem conhecido é o dos cavalos e jumentos, que em geral demonstram já uma menor atração sexual, seu interesse em fazer sexo entre eles já é bem diminuído, mas o que é mais importante, quando acasalam, ainda conseguem deixar descendentes, as mulas, mas que são estéreis, assim cavalos e jumentos são de espécies diferentes. Ao contrário, dois animais com aparências diferentes como um buldogue e um Spaniel, partilham a mesma configuração genética, e se acasalam e deixam filhotes que ao crescerem também se casalarão e deixarão filhotes, assim Buldogue e Spaniel são da mesma espécie.


Por definição, espécies que evoluíram de um mesmo ancestral, que tiveram no passado progenitores comuns, são agrupadas em um mesmo gênero. Usamos por padrão identificar os seres, os organismos, por um duplo nome latino, o gênero seguido da espécie. Um exemplo “Panthera leo” é a classificação que damos aos leões, são a espécie leo do gênero pantera. Leões, tigres, leopardos, jaguares, pertencem ao gênero pantera, pois que têm origem em um mesmo ancestral. Eu, meus filhos, meus tios, você, qualquer um que possa ler e entender este texto, somos classificados (a menos que você seja um extraterrestre, ou uma evolução ainda não identificada) como Homo Sapiens, a espécie sapiens do gênero homo. Agrupamos os gêneros em famílias. Ainda no gênero Panthera, temos a família dos felídeos que incluem todos os membros do gênero pantera e outros como os leões, guepardos, gatos e etc. Todos os membros de uma família têm, de novo, uma origem comum, mais distante, são assim descendentes de “pais únicos”. Ainda nos felídeos, todos seus membros, do gato doméstico ao mais feroz leão, possuem um ancestral comum que viveu a cerca de 25 milhões de anos. Conosco também não é diferente, nós, os homo sapiens pertencemos a uma família comum, a família dos primatas, por mais que alguém possa não aceitar, possa se revoltar, ou tenha tentado ao longo do tempo, e ainda hoje alguns tentem esconder, somos todos da família dos grandes primatas. Temos muitos “primos” e nossa família viva mais próxima inclui os chipanzés, os gorilas, os orangotangos e os sexualmente ativos, inimigos da guerra, os bonobos. Por volta de seis milhões de anos atrás, talvez um pouquinho mais, uma mesma femea comum primata gerou descendentes que seguiram caminhos que se abriram, chegando hoje nos chipanzés, bonobos, orangotangos e gorilas. O que é importante dizer, é que não ocorreu uma sequência linear, passando pelas variações até chegar em nós. Não! Não é linear, muito pelo contrário, é quebrada, é mais como uma seção de galhos de uma arvores, alguns vão se abrindo em novos galhos, outros acabam de repente, e as espécies estariam nas pontas, tendo caminhos que se bifurcam, desta forma, não podemos pensar que uma primata qualquer, um dia teve um filho homo sapiens. Em verdade, muitas foram as vezes que viveram ao mesmo tempo espécies diferentes de humanos. Um exemplo, a cerca de 100 mil anos, viveu sobre a terra, pelo menos seis diferentes espécies humanas. E nossa atual exclusividade, de única espécie de humanos viva, deve ser motivo de cuidado e de tristeza, e não de orgulho, pois que nossa condição de única espécie viva muito mais nos incrimina do que nos valoriza, a menos que nossos valores sejam o da destruição.

PS: ainda temos outros “agrupadores”, como ordens, classes, filos e reinos...

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