Distanciamento da física e da matemática

Muitos têm com a física, e também com a matemática, um relacionamento de respeito, entretanto com afastamento. E o chato é a percepção de que a física ou a matemática sejam difíceis demais. Como em todo o saber, existem coisas difíceis e coisas fáceis, isto vale para a literatura, para a linguagem, para a história, e vale também para a física e para a matemática. Retirada aquela porção mais complexa da física e da matemática, o que eu tenho notado é que o afastamento se dá muito por alguns problemas (fora da física e da matemática) que poderiam ser razoavelmente resolvidos. Uns, tanto jovens como adultos, têm dificuldade na leitura e interpretação, e não conseguem se achar nos problemas e nas proposições, esta falha não é da física e nem da matemática, mas aparecem fortemente nestas, talvez porque seus textos são bem diferentes daqueles textos literários. Outra dificuldade que percebo é de base, crianças e adultos não carregam consigo uma bagagem de conhecimentos matemáticos e físicos que lhes permita caminhar com desenvoltura. Outra dificuldade é o fato de se descolar as aulas, o conteúdo, de algo lúdico, de algo vivido no dia a dia destes jovens e adultos. E em alguns casos, é do próprio professor que passa a lançar matéria sem o menor cuidado de dar nivelamento e sequência natural e capacidade de compreensão aos alunos. Mas de todos eles, tenho percebido que a dupla, falta de conhecimentos anteriores básicos e dificuldade de leitura e interpretação, são bastante comuns no afastamento de jovens e adultos do prazer de conhecer física e matemática.

Se perguntarmos por aí o que é física, talvez poucos saibam responder, sinceramente já falei com pessoas graduadas que entendem a física como uma invenção, que acham que o físico é um mago que inventa coisas. 


Vou copiar um trecho de Alexandre Cherman:
“O maior problema desse pessoal é acreditar que a física é feita de fórmulas. A matemática é apenas a linguagem com a qual falamos com o mundo e com a natureza, mas de forma alguma ela é o mundo e a natureza. Reduzir a física às fórmulas matemáticas é como reduzir um idioma às suas palavras. ... Reconheço que muitos físicos têm um apego excessivo pelas suas equações, muitas das quais bastante complicadas, e deixam de lado os princípios naturais que elas expressam. Se a função do físico é entender o mundo – e para isso ele não pode abrir mão das complicadas fórmulas matemáticas -, cabe também a ele o trabalho de tradutor: transformar esse conhecimento específico altamente qualificado em algo que possa ser expresso em “língua de gente”, seja na nossa linguagem do dia a dia, seja na própria matemática, só que acessível para muitos. Alexandre Cherman”

Leon Lederman, físico norte-americano (ganhador do prêmio Nobel de 1988) que dirigiu o Fermilab, costuma dizer: “se um conceito é grande demais para caber na estampa de uma camiseta, provavelmente está errado”. Richard Feynman, outro ganhador de prêmio Nobel, desta vez em 1965, adorava resumir suas ideias em frases de efeito, e falava “a física está para a matemática assim como o sexo está para a masturbação. Feynman”

A física não é matemática, mas a natureza é muito bem entendida com o uso da matemática, entretanto podemos entender a física pelos seus conceitos, e isto é uma parte linda do entender o universo que nos possibilitou existir.

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