Física! O que é física?

Física! O que é física?

Como este é um texto informal, não pretendendo ser um corolário científico, ou um dicionário de filosofia da ciência, iniciei com uma ida ao bom amigo dicionário do Aurélio. Segundo ele: “física. (Do grego Phisiké, “a ciência das coisas naturais, pelo latim physica.) S.F. 1. Ciência de conteúdo vasto e fronteiras não muito definidas, que investiga as propriedades dos campos, as interações entre os campos de força e os meios materiais, as propriedades e a estrutura dos sistemas materiais, e as leis fundamentais do comportamento dos campos e dos sistemas materiais. ”

Eu costumo de forma bem genérica dizer que a Física é a ciência, é uma das ciências, que estuda o natural, a natureza. Para muitos isto parece satisfazer, ou fazem “cara” de quem se satisfaz com esta assertiva, mas em essência, esta definição é muito abrangente, e com certeza não define o que é a física, pois que estudar a natureza, e o natural, abarcaria tudo, pelo menos para alguém que como eu tem um pé bem lambuzado no materialismo e no naturalismo, tudo é natural, tudo é natureza, tudo é matéria e/ou energia, ou dela deriva direta ou indiretamente, ou a ela pode, em algum momento, ser reduzida. Esta definição abraça desde o Campo de Higs, até um pensamento qualquer, envolve também a evolução e os sentimentos e todas as emoções, entretanto, com certeza, a física não é tudo isto, a física não estuda, não busca conhecer, ou entender, um leque tão vasto de áreas e conhecimentos. Por isso, naturalmente, a ciência possui diversas áreas de conhecimento, com diferentes escopos, com diferentes graus de complexidade existencial ou mesmo estatístico. A física é uma delas, entendo eu a mais básica, não quero com isto dizer que seja a mais simples, a mais fácil, mas com alguma certeza é aquele grupo de conhecimentos que envolve as leis, os estados, os campos, que envolve a estrutura natural do que existe. Seria mera aberração, imaginar que poderíamos estudar, unicamente pela física, a meteorologia, a mente, ou a evolução, estaríamos, no mínimo, imediatamente limitados pelo volume abissal de informações “naturais” envolvida. Algo aparentemente simples como rir de uma piada, ou a sensação de atração sexual por alguém que por nós passa pela rua, ou uma abstração matemática simples como entender os números imaginários, está completamente fora de qualquer esforço possível pela física, seja intelectualmente, seja tecnologicamente, mas uma coisa é claro, a cada salto natural de complexidade que vai do físico ao químico, ao biológico, ao mental e ao social, a física se faz presente, não como competência de estudo direto, mas como regra elementar da qual nenhum dos níveis seguintes pode não se adequar, ou teremos que retornar ao estudo físico, e encontrar uma falha, uma incompletude, ou um desconhecimento latente. 


Em continuação, costumo comentar uma proposição do Ernest Rutherford (“o descobridor” do núcleo atômico), menos pelo seu valor absoluto, mas sim pela imagem, clara para mim, que acabou passando. Ele enfatizava bem um ponto de vista do que é ciência, mesmo que inicialmente tenha me estranhado a colocação, por acha-la totalmente exagerada, ao meu ver, pois que reduzia a assertiva ao campo da física. Ele afirmava que “somente existem dois tipos de ciência: a física e a filatelia.” É claro que na primeira vez que eu li esta frase, me choquei, e mesmo amante da física, me era impossível lê-la e interpretá-la de forma absoluta. Algo deveria estar por detrás do que lia. Depois de pesquisar percebi que o que ele, ao jeito dele, queria dizer é algo como que, uma ciência que não se importe com as causas, que não investigue a fundo os porquês dos acontecimentos, dos fatos, das experiências, das teorias, que apenas estude ou analise superficialmente os como, os onde e os quando, nada mais é do que mera filatelia, pois que somente colecionar dados, classificá-los, ou estudar a superficialidade dos fenômenos, sem se preocupar muito com os significados que eles têm, suas reais origens, suas causas, seus porquês, seus profundos como, não é ciência em sua completude de alcance, e este é o escopo natural, a forma natural de agir, de estudar, de pesquisar, de observar, de esmiuçar na física, e todas as demais áreas cientificas deveriam se comportar desta maneira, por isso o uso do termo física, no lugar de ciência, apenas para dizer que todas as ciências devem ter um comportamento parecido com o que deve ter um verdadeiro físico. Ele mesmo faz referência a exemplos de comportamento em geologia, zoologia, medicina, astronomia, biologia, química, meteorologia, e, claro, na própria física, onde ele comenta que todas estas áreas, e eu incluiria outras muito mais “modernas” que não existiam na época dele, precisam, sempre e cada vez mais, se embrenharem atrás das causas e dos porquês. Ele dá um exemplo comum de que não basta um ser humano que passe horas, milhares dela, em um jardim botânico, apreciando, observando a beleza das plantas, até mesmo classificando ou vendo semelhanças e diferenças, se ficar apenas nisto, jamais estará ele mais perto de entender o que realmente é uma planta, talvez seja mais um aristotélico, entendendo a possível funcionalidade de cada planta, mas isto não é entender e conhecer o que é uma planta, como ela opera, quais as funcionalidades intrínsecas que operam escondido de nosso olhares superficiais para que cada uma daquelas plantas seja ela mesma um ser vivo.

Retornando, o que seria então a física? 
É claro que como outras ciências, está diretamente relacionada a realidade natural, seria o estudo ou a investigação das “leis” naturais do universo, no que diz respeito a matéria, a energia e aos campos e potenciais naturais, além das interações entre eles, campos, matéria e energia. A física está íntima e totalmente relacionada com as demais ciências naturais, e de certo modo, em seu extremo, englobaria elas todas, mas é naturalmente “escopada” ao nível do mais básico, do que dá sustentação, respaldo e suporte natural a tudo o mais. A física não tem intenção de explicar tudo, e nunca seria capaz disto, por limitações intelectuais, ou mesmo tecnológicas, por isto existem os demais campos de conhecimento científico, cada um com seu maior grau de complexidade própria, mas sem abrir mão da aderência e do “respeito” aos níveis que servem de suporte aquele em que estamos estudando. Assim, como exemplo, a biologia estaria num grau natural de complexidade superior à química e a física, mas nada na biologia pode perder aderência ao possível, pelas leis da física e da química, a menos que estejamos descobrindo inconsistências na química e na física. 

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