A ética

A ética deve sempre guiar, nortear e ser parceira na busca do realizar o bem social. Não há ética sem o conceito de bem, seja na ciência, seja na ação, e principalmente quanto aos fins. A ética deve permear o individual, entretanto sempre com um fim social, deve ser parâmetro pessoal, tendo em vista o alcance coletivo, mais até, um alcance que eleja a vida e a natureza como referências. De toda forma, deve-se cuidar atenciosamente para não cair na tentação de achar que exista uma ética de manual, uma ética referenciada apenas pela cultura. Não existe ética absoluta, como não existem princípios e fins absolutos. Não quero vulgarizar a ética quanto a relatividade individual, das vontades ou dos desejos de cada um, e muito menos de algum grupo, instituição ou de algum poder, digo apenas que a ética é relativa em sua prática, mas nunca quanto aos fins que devem ser sempre o de maximizar a felicidade e a justeza, pelo maior número de pessoas possível, pelo maior alcance geográfico possível e pelo maior espaço de tempo possível. A relatividade que me expresso é aquela do bem social, em geral qualquer coisa que não afete a dignidade humana ou social é livre, é ético, e pode ser feito. Existe uma camada natural, que quase tendo a definir como universal, de um corpo de comportamentos que tendem a ser considerados éticos. Mas ética é muito mais do que este corpo básico, ela se entrelaça com a existência e pode acabar sendo contaminada, corrompida por interesses, ou deturpada por falsos defensores. É nos extremos, em casos críticos, que percebemos o real ou apenas o superficial compromisso com a ética, pois nestes instantes somos colocados frente a frente aos nossos interesses mais internos e podemos tropeçar em nossos próprios desejos. Mas devemos ter em mente que é ético tudo o que em geral defende a vida, maximiza o bem estar, ousa minimizar o sofrimento coletivo, ou que eleva ao máximo a felicidade social. Desta forma quero dizer que não creio em ética absoluta, daquela que poderíamos escrever em cartilhas. A ética deve pautar todos os atos, e ser medida pelo alcance final, sem abrir mão do respeito e da dignidade no enquanto seus meios, sem que por si só seja completamente restritiva ou proibitiva. 


O bem é aquilo a que todas as coisas e ações deveriam visar, valorizando o humano, maximizando a dignidade da vida e da felicidade coletiva, e respeitando a natureza e tudo que a compõe ou que dela deriva. A felicidade, esta sim deve ser o bem supremo da vida e deve ser a busca maior de todos, mas nunca a nossa mesquinha e vaidosa felicidade, porém sim aquela felicidade do todo, do coletivo e do social, e assim o motivo de toda ação deve ser o bem e a felicidade.

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