A tradição nada cria

A tradição nada cria, apenas replica, reforça o que já é, e copia. 
Apenas a ousadia com amor, a revolução do ser com humanidade, a realização do viver com conhecimento, com uma abordagem com toques de ceticismo, com um pensar crítico e racional, e com uma existência com sabedoria, realmente transformam, ou criam algo de novo.

Ser omisso possui duas vantagens para o sistema, uma é que é um dos pratos preferidos pelo sistema para dar continuidade ao que já é, para dar estabilidade ao que já é; e a segunda é passar carta de autorização para que o estado, no status de representante ativo dos poderes econômicos, corporativos, daqueles que donos do capital, direta ou indiretamente, possam manejar sua máquina, direcionar leis, e perpetuar-se assim como estado de poucos, com pleno domínio sobre muitos. 

Somente uma condição ativa de cada um de nós, comprometida com todos, comprometida com a inclusão social e política de todos, comprometida com o bem querer e o bem estar social de todos, comprometida com a proteção e respeitos humanos, sociais, e por toda a natureza, comprometido com o envolvimento representativo de todos neste mesmo estado, comprometida com uma real transformação por um estado transparente, socialmente participativo, e humanamente limpo das mazelas atuais de corrupção, de interesses de grandes grupos econômicos, de interesses corporativos escusos aos mais naturais interesses da sociedade como um todo. Somente tendo a coragem e a ousadia de ser vanguardeiro, de ser presente, de ser atuante, de se lançar na construção, na transformação, na reforma deste nosso estado que perdeu, os valores humanos, sociais e naturais, frente ao próprio poder nitidamente interesseiro, do econômico, que subverteu o real papel da política, para ser o papel da falta de decoro, da falta de responsabilidade, da falta de humanidade, da falta de princípios humanos, sociais e naturais. Infelizmente, apesar de muitos reclamarem, poucos realmente estão interessados em mudanças gerais, a maioria reclama por si e pelos seus, não por todos, não pelos que mais precisam, quando chega a hora de votar, acabam votando ou nos mesmos, ou naqueles que representam a continuidade da mesmice, mesmo que com capas e máscaras novas. Infelizmente muitos de nós, em verdade, não está preocupado com a transformação, com a mudança coletiva ou social, não está preocupado com a reforma, construção ou dignificação de nossa sociedade, está sim preocupado com a sua melhoria, com a melhoria do seus, e quando muito com a melhoria daqueles que compõem seus grupos de interesses.  


Não quero dizer que a tradição não possa ter coisas boas para nos (re)ensinar. A tradição indígena poderia muitas coisas nos ensinar. Me refiro principalmente aquela tradição no âmbito do político, da estrutura que governa e se mantem ao longo do tempo. Me refiro a tradição institucionalizada, sem minha autorização, de fazer política, de direcionar economia, de moldar as leis, conforme os interesses de poucos, mas que muito possuem, que muito podem investir no comprometimento moral de cada um dos representantes que ajudou a eleger, perpetuando assim aquela forma deturpada de fazer política e governança em nosso país. Me refiro as tradições que limitam, restringem, e "dominam", por catequeses ou cultura midiática, por medo ou dúvidas,  nossa liberdade de pensar, nossa liberdade de agir responsavelmente, nossa criatividade, nossa capacidade de ser um agente transformador de nós mesmos e do que já aqui esteja estabelecido e que em nada somam para a dignificação do humano, do social e da natureza como um todo. Me refiro enfim as tradições que, proposital um sem intenção, nos fazem seguidores, nos ensinam a ser fieis ao que aqui está, que nos impingem medos e temores para nos manter de antolhos frente a uma possibilidade de mudança, de libertação, de comunhão com a natureza e com a humana possibilidade de fazer de nossa sociedade uma verdadeira sociedade plena de respeito, de compromissos com bem querer e com bem viver,  e daquilo que nos deveria diferenciar como humanos, plena de humanidade.

Somente plantar sementes não basta, é necessário antes roçar, extirpar todas as ervas daninhas e tudo o mais que atrapalhe ou inviabilize o plantio, e depois é necessário compromisso no cuidado constante para um perfeito germinar e crescer.... 



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